JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 45 – Karen

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Confesso que saí daquele local com uma sensação meio claustrofóbica, talvez devido à empatia com o confinamento das vítimas de Jezebel. Por mais que a Polícia nos torne frios, com o decorrer dos anos, ouvir os dois depoimentos me fizeram mal, trazendo-me um incômodo.

Não queira ir para casa naquele momento, pois meu apartamento era pequeno e me sentiria incomodado, preso. Precisava andar pelas ruas, observando os bares, as vitrines das lojas. Uma angústia que não conseguia sair de dentro de mim, como algo que quisesse arrancar de meu âmago, mas não conseguisse.

Talvez o maior motivo de minha angústia fosse o fato de ter conhecido Jezebel, nos tempos de escola e, devido à sua beleza angelical, reproduzir para mim mesmo a imagem de uma menina doce e meiga ser capaz de cometer atos tão torpes. Tinha a sensação de que não se tratava da mesma pessoa, mas sim, era ela.

Sentei-me em um bar na Rua Riachuelo. Como não bebo, pedi um refrigerante. Fiquei por alguns instantes, talvez, com o pensamento vazio, olhando para o nada, quando, de repente, percebi no canto do bar, uma mulher bonita, que bebia solitariamente sua cerveja. Não sei se, devido à minha formação suburbana, sempre achei estranho uma mulher bebendo sozinha em um bar.

Trocamos olhares, ela sorriu. Parecia preocupada. Aproximei-me.

– Posso me sentar?

– Sim.

Sentei-me, ela parecia um pouco apreensiva. Apresentamo-nos um ao outro. Chamava-se Karen; conversamos bastante sobre diversos assuntos e descobri que era professora na mesma escola de Gisele.

– Eu e a Gisele somos muito amigas. – disse Karen.

– Você tem falado com ela?

– Na verdade, estou preocupada, pois ela abandonou a matrícula.

– Estou sabendo.

Karen continuou:

– Sabe como a Gisele é delirante. Ela, antes de deixar o trabalho, disse-me que queria largar tudo para viver em uma comunidade onde poderia ser o que quisesse, a tal da Cidade das Flores.

– Ela me falou sobre este lugar.

– Disse para ela que era uma furada, mas ela não dava ouvidos para ninguém quando cismava com algo.

– Sei muito bem.

Trocamos telefone e nos despedimos. Fui para casa, preocupado com Gisele.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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