JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 49 – Depoimento de uma das resgatadas

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Esqueci-me de falar que Lorraine e as outras meninas, encontradas desnorteadas em um dos compartimentos fétidos daquele velho prédio, foram conduzidas a um hospital. As ambulâncias entraram no local, enquanto os moradores espiavam por trás das portas dos cubículos.

Devido ao estado de transe – ou outro nome que queiram dar como elas se encontravam –, foram necessários profissionais extremamente preparados para retirá-las do local, conduzindo-as até as ambulâncias e ao atendimento em um hospital do qual não posso revelar o nome.

Dei um tempo para visitá-las. Depois que recolhemos o depoimento do (a) morador (a), Fragoso determinou que eu fosse fazer uma visita às meninas resgatadas por mim, naquele cubículo imundo. Achei interessante como ele me carregava, desde os tempos de Polícia Militar.

Cheguei ao hospital, identifiquei-me na recepção e fui encaminhado ao quarto de uma das meninas que estava em melhores condições para conversar. Como tinha uma situação privilegiada, sua família a transferiu para um clínica particular. Entrei em seu quarto.

A moça, a qual também não revelarei o nome, principalmente por ser de uma família importante do Rio de Janeiro, já estava me esperando. Encontrava-se pálida, mas com o aspecto bem melhor do que o dia em que a encontrei, junto com as outras, completamente fora de si.

Falou sobre seu vício na beberagem que chamavam de “Mel” e ainda não havia se popularizado, tendo em vista o alto preço.

– Sou usuária do “Mel” há quatro meses e, durante esse tempo, não vou à minha faculdade de Direito, que minha família envia o dinheiro para eu pagar a mensalidade. Com ele, consumo o “Mel”. Meus pais não desconfiam porque estão fazendo uma viagem pela Europa há quase um semestre e apenas me enviam o dinheiro.

– Como você conheceu esta droga? – perguntei.

– Um cara que conheci na balada e começamos a nos relacionar. No início, fumávamos apenas um baseadinho juntos, mas, ele me levou lá, naquele local, para experimentar o “Mel” e viciei na hora. Ficava até dias lá, sem me alimentar ou fazer qualquer tipo de higiene.

– Você sabe quem te vendia?

– Não sabia o nome das pessoas. Vendiam-nos a droga naquele local pouco iluminado, não dava muito bem para ver seus rostos. Tinha uma mulher loura e bonita que eu vi de longe e parecia ser a chefe.

O celular tocou. Era Fragoso para me dar uma triste notícia.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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