JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 51 – Depoimento de Victória, vulgo Perla

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

– Acho que o senhor deve ter ouvido histórias parecidas. Pois é, eu sou do interior do Ceará e estava há cerca de um ano morando de favor na casa de uma prima em uma comunidade de Bangu. Estava desempregada, fazendo biscates. O marido da minha prima me assediava o tempo inteiro. Precisava juntar um dinheiro.

Foi em um final de semana, quando quis distrair um pouco a minha cabeça, e fui à praia, lá na Barra que a moça loura puxou assunto comigo.

– A Jezebel? – perguntei.

– Sim, ela mesma. Foi muito simpática comigo, disse que eu era bonita e me convidou para tirar umas fotos para ganhar dinheiro. Inicialmente, achei estranho, pois tenho apenas um metro e cinquenta e oito, mas com muita convicção, a Jezebel me convenceu de que precisava de uma branquinha baixinha, exatamente como eu, para fazer as fotos. Lembro até hoje as suas palavras: “Será só o teu primeiro trabalho, depois virão outros”. Deu-me o seu contato, e continuamos a conversar pelo celular.

Despedi-me de minha prima e seu marido, dizendo que havia arrumado um emprego na Zona Sul e teria moradia. Eles nem se interessaram em saber qual era o emprego. Acho que o senhor já deve saber o desfecho. Ali passei a me chamar Perla e a atender os clientes.

Eu e outra menina, conhecida como Charlotte, (nós éramos proibidas de saber o nome verdadeiro uma das outras, se alguém ousasse falar, eles descobriam, acho que tinham escuta e sofríamos graves represálias) fingíamos ingerir aquela porcaria, mas cuspíamos. Ficávamos fingindo delírio, observando o estado das outras meninas, que falavam coisas desconexas.

Combinamos de tentar fugir dali na primeira facilitação que dessem. Percebemos que havia um segurança mais disperso. Não entrarei em detalhes em relação à nossa tentativa de fuga, somente que fomos pegas. No quarto, Jezebel e seus seguranças colocaram todas as meninas de pé: eu e Charlotte na frente delas. Sem dó nem piedade, Jezebel executou Charlotte com três tiros na cabeça. Não sei por que me poupou, mas tomei uma surra com um pedaço de pau para aprender. Os seguranças tiraram seu corpo e nos fizeram limpar o sangue no chão. “Que isso lhes sirva de exemplo e ninguém tente mais nenhuma gracinha por aqui”, dizia Jezebel, totalmente fria.

Eu estava toda machucada no meu canto, mas escutava as meninas chorarem, enquanto limpavam a sangueira. Depois, ainda em represália, deram-me cortes pelo corpo durante um ritual àquele deus que eles adoravam.

Começou a chorar.

– Desculpe! Não posso mais falar!

Despedi-me da menina, tentando imaginar o do porquê Jezebel ter se transformado naquele monstro terrível.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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