JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 55 – Depoimento de João Hermann, vulgo Acabe


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Por: Jorge Eduardo Magalhães
– Chamo-me João Hermann, tenho 32 anos e sou natural de São João da Boa Vista, interior de São Paulo. Conheci Jezebel em um final de tarde de sábado, na praça da minha cidade. Assim que vi aquela linda mulher loura, meu coração bateu forte. Jezebel era, simplesmente, encantadora.
Trocamos olhares e ela me sorriu. Correspondi o sorriso. Nunca fui feio, aliás, sempre fiz sucesso com as mulheres da minha cidade; por isso, não estranhei o fato daquela linda mulher demonstrar interesse por mim, pelo menos naquele momento. Nunca imaginaria que destruiria a minha vida.
Apesar de ser um homem bonito, percebia-se que João, vulgo Acabe, era um homem simplório e com um baixo nível cultural. João continuou o seu depoimento, visivelmente, tenso.
– Aproximamo-nos, começamos a conversar. Jezebel disse que era de Santa Catarina, mas morava no Rio de Janeiro e que rodava o Brasil inteiro em busca de pessoas como eu, com talento. O clima entre nós era visível. Trocamos um beijo e, naquela noite, dormimos juntos no quarto de hotel onde ela estava hospedada. Depois de tomarmos o café da manhã, voltamos para o quarto e fizemos mais um amor ardente. Ela perguntou se eu não queria ser o rei Acabe dela.
Na hora, não entendi muito bem, nunca li a Bíblia. Inicialmente, achei que havia tirado a sorte grande de uma mulher linda e bem-sucedida como Jezebel se apaixonar por mim. Queria mudar a minha vida, não aguentava mais aquele cotidiano interiorano e sem perspectiva que eu vivia.
Não compreendi muito bem quando Jezebel me falou: “Você é meu rei, não sai mais da minha vida, somente morto”. Achei que era uma simples declaração de um forte sentimento. Não havia me dado conta do quanto era perigosa. O seu olhar doce me fascinou e me enganou.
Levou-me a um sítio na área rural da cidade, onde funcionava uma espécie de boate, denominada de Soturno.
Tive que intervir:
– Mas Soturno era a boate clandestina aqui no Rio de Janeiro.
– Soturno é uma marca clandestina. Existem várias pelo Brasil inteiro. Ninguém lá na cidade sabia de sua existência e a partir do momento que soube que havia essa boate, tornei-me cúmplice e uma espécie de prisioneiro. Não como as meninas e os travestis, mas, um amante e funcionário de Jezebel, a quem ela chamava de Acabe. Era obrigado a participar dos rituais macabros, com mutilações, orgias e até imolações de recém-nascidos. Também gerenciava a venda daquela droga.
– O Mel? – perguntou Fragoso.
– Sim.
– Você também é usuário? – perguntei.
– Não. Nós que comercializamos somos proibidos de usar, porque tem um efeito viciante muito forte. Um dos nossos homens foi experimentar e Jezebel mandou que o Tonho o executasse na frente de todos nós.
Levei um susto ao ouvir o nome “Tonho”.
– Sabe onde podemos encontrar a tal droga?
– Quem é responsável pelo armazenamento da droga é o Tonho. Só distribuo. Na verdade, senhores, estou até aliviado de ter sido preso. Não aguentava mais ficar sob o domínio da Jezebel. Ela dizia que tiveram outros Acabes na vida dela, mas, como não a obedeceram, foram eliminados. Descobri que não fui o primeiro Acabe e, certamente, não serei o último. Por favor, não deixem que ela me mate. Jezebel é louca, disse que morrerá nas mãos de um homem chamado Jéu.
Existe também lugares, sítios, que enganam as pessoas com o título de Cidade das Flores, que prometiam que você poderia ser quem quisesse.
Começou a chorar. De fato, Jezebel era aficionada pela sua personagem bíblica homônima. O nome Tonho estava fixo em minha mente. Levei um susto com a tal “Cidade das Flores”. Gisele estava em perigo.
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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