JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 6 – Uma nova Jezebel

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Como disse, minha musa se tornara a líder da escola e um grupo de meninas, antes atormentadas por Jenifer e sua turma, passou a seguir Jezebel, que agora exalava um ar de mulher, tendo até um tom maligno em seu olhar, adquirindo um imenso respeito por parte de toda a comunidade escolar.

As meninas, que anteriormente seguiam Jenifer, se dispersaram, algumas sumiram da escola e outras ficaram quietas e até estudiosas. Jenifer, por sua vez, solitária, ficava sossegada em um canto, que antes pertencia à Jenifer e seu amigo Vandinho. Vandinho se tornara o fiel braço direito de Jezebel.

Confesso que Jezebel ainda me fascinava, mas não da mesma forma que antes. A partir do momento que retornara da suspensão, parecia ainda mais bonita, mas mesmo sendo uma menina, agora tinha o ar de uma miniatura de mulher fatal, que me encantava e assustava ao mesmo tempo.

Com o fim do predomínio da Turma de Jenifer, a escola ficou mais calma e, apesar de gostar bastante de ler, passei a ficar menos na biblioteca, que tinha um acervo bem limitado: eu já havia lido todos os livros daquelas desorganizadas e empoeiradas estantes.

Ficava mais à vontade no pátio ou na quadra, na hora do intervalo. Tinha a impressão de que a escola estava até com mais disciplina. Sentia certa pena em ver Jenifer sozinha em seu canto. De vez em quando, algumas das meninas, antes oprimidas por Jenifer, que seguiam Jezebel, faziam chacota da sua antiga algoz que, devido ao temor de Jezebel, abaixava a cabeça.

Inclusive, além de ter liderança, Jezebel também era uma boa aluna e reunia grupos de estudos no pátio, na hora do intervalo. Embora não excluísse ninguém, não me sentia à vontade para participar de seu grupo, ainda que tivesse vontade de compartilhar com outras pessoas a experiência de minhas leituras.

Constantemente, na solidão de meu quarto, imaginava eu me aproximando de Jezebel, tocava em suas alvas mãos, e ficávamos a sós, conversando sobre literatura. Visualizava a cena de seu olhar encantado com o conhecimento que eu acreditava ter. Entretanto, só a observava de longe e, este momento imaginário, nunca se concretizou de verdade.

Estava cada vez mais encantado com a liderança e maturidade de Jezebel, cujo ar de menina se evaporara tão repentinamente. Naquela época, nem poderia sonhar que o seu prestígio e a sua própria frequência estavam com os dias contados no ambiente escolar.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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