JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 60 – A gravação com a suposta voz de Jezebel

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Por: Jorge Eduardo Magalhães

Fiquei tenso com a incumbência dada por Fragoso de pegar Jezebel. Muita responsabilidade para pouca informação. Sentia um misto de fascinação e desespero pela possibilidade de me reencontrar com ela tantos anos depois. Contudo, nem sabia por onde começar. Caso tivesse que capturá-la, e ela sofresse resistência, tinha medo de não conseguir atirar contra ela.

Foi em um desses atos de sorte que um dos nossos informantes (não posso dar detalhes) me enviou áudios de conversas de um grupo de mulheres criminosas, cuja líder era chamada pelas outras de “Majestade” e, através do celular, comandava a tortura e assassinato de uma jovem.

Pelos diálogos, o crime se deu na cidade de Duque de Caxias, às margens do Rio Sarapuí. No áudio, várias mulheres pareciam julgar uma mulher, chamada Jocilene que, pela voz, parecia bem jovem. “Majestade” ordenava que a queimassem com pontas de cigarro e quebrassem as pernas e os braços da suposta traidora.

A senhora é quem manda, Majestade – dizia uma delas.

Não faz isso comigo, por favor! – dizia a voz da vítima, desesperada para seus algozes.

A Majestade aqui não admite traição. Fui boa, generosa, quis te transformar em uma artista, uma modelo, e você tentou fugir, me ludibriar. Pensou que eu não fosse te encontrar aí nesse fim de mundo, na casa de seus parentes? Tenho olhos em todos os cantos.

Me perdoa, pelo amor de Deus!

A Majestade, supostamente Jezebel, deu uma gargalhada.

Eu sou muito boa, bonita! Mas não perdoo traição. Continuem, meninas. Eu estou aqui jantando com meu Acabe e não quero ser incomodada.

O nome Acabe me ligou um alerta. A voz, embora mais de adulta, lembrava a de Jezebel. Tudo dava a entender que ela não estava no estado do Rio de Janeiro e ordenava o flagelo, enquanto se divertia com seu novo Acabe. Os gritos e apelos da pessoa torturada eram angustiantes.

Agora pode atirar nela e enterrar o corpo por aí mesmo.

Sim, Majestade.

Ouvi os barulhos dos tiros. Uma delas falou:

Majestade, ela ainda está respirando.

Faz o seguinte: enterra assim mesmo.

Tem certeza, majestade? Isso é horrível.

Por isso mesmo. Ninguém passa por cima de mim. O único homem que vai matar é meu Jéu, que ainda não sei quem é.

Sua gargalhada era horripilante.

Tinha quase certeza de que se tratava de Jezebel. Só precisava saber de onde ela estava falando para conseguir capturá-la.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

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