JEZEBEL, A MUSA DO SOTURNO: Capítulo 62 – O retorno de Gisele

APOIE O TRABALHO DO AUTOR COM A QUANTIA QUE DESEJAR

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Não acreditava no que via. Lá estava Gisele, bem mais magra, com os cabelos desgrenhados. Tive a impressão de que estava um pouco mais envelhecida, as roupas velhas. Parecia que sua pele estava encardida. Fiquei durante alguns segundos, embasbacado, olhando em seus olhos enlouquecidos.

– Por onde você andou? – perguntei depois de alguns instantes.

– Posso entrar?

– Claro. Desculpe.

Gisele entrou em meu apartamento e me abraçou forte.

– Obrigada.

Ficou por cerca de dois a três minutos abraçada comigo.

– Sente-se… – disse –  O que houve? Você abandonou teu emprego, tua filha. Estava todo mundo preocupado contigo.

– Consegui fugir daquele local horrível.

– Onde você estava?

– Em uma fazenda, um sítio. Não sei muito bem dizer. Fui enganada. A tal Cidade das Flores era uma farsa.

– Mas eu tentei te avisar…

– Pois é. Os capangas da mulher loura nos obrigavam a recolher uma seiva de uma planta durante o dia e, à noite, atendíamos clientes.

– Mulher loura?

– Sim, que seus capangas chamavam de “Rainha”.

Logo liguei os fatos. Gisele continuou:

– Era horrível aquele lugar. Teve uma menina, a Jocilene, que conseguiu fugir junto comigo. Mas teve um ponto em que nos separamos. Ela disse que se esconderia na casa de um familiar, em Duque de Caxias, e eu vim para cá. Eu corro risco.

Começou a chorar, abraçando-me novamente. Percebi que cheirava mal.

– Gisele, você está precisando de um banho.

– Eu sei.

– Ainda tem algumas roupas tuas aqui. Deixe-me pegar.

Peguei uma toalha limpa e um vestido que Gisele havia deixado em meu apartamento.

Enquanto tomava banho, liguei para Fragoso para lhe comunicar o fato e, como sempre, atendeu estressado.

– Transmissão de pensamento, estava precisando falar contigo.

– Pois é, não sabe o que aconteceu…

Fragoso não me deixou completar.

– O corpo da Jocilene foi encontrado nas margens do Rio Sarapuí…

– Que bom, eu também…

Novamente me interrompeu:

– Localizamos a tia com quem ela estava morando em Caxias.

– Mas eu…

– Vá ao local de sempre para colhermos o depoimento dela.

– Quando?

– Agora.

– Quero te falar que…

Antes que eu terminasse, Fragoso desligou o telefone.

Não lhe enviei mensagem porque uma das instruções do Departamento era que não comunicássemos certos assuntos por mensagens.

Gisele saiu enrolada na toalha. Apesar da magreza, suas curvas ainda me encantavam:

– Querida, tenho que sair rapidamente. Não saia de casa e não abra a porta para ninguém.

– Vai me deixar sozinha aqui?

– Não tem jeito, depois, vamos avisar à tua mãe.

Dei um beijo em Gisele e saí.

NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.

Acessem meu blog: http://jemagalhaes.blogspot.com         

Adquiram meu livro CINE AFRODITE

https://clubedeautores.com.br/livro/cine-afrodite

WhatsApp