Lula defende valorização do SM em celebração dos 90 anos do piso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (16/1), que o Brasil precisa manter a luta permanente pela valorização do salário mínimo. A declaração foi feita durante cerimônia realizada na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, em comemoração aos 90 anos da implementação do salário mínimo no país e aos 20 anos da política de reajuste real. O evento também marcou o lançamento de duas medalhas comemorativas, uma de prata e outra de bronze.
Segundo o presidente, a solenidade não representa uma exaltação ao valor atual do salário mínimo, que ele classificou como insuficiente. Lula destacou que a criação do piso salarial, em 1936, teve como objetivo assegurar direitos básicos aos trabalhadores, como moradia, alimentação, educação e liberdade de ir e vir. “Desde a sua criação, o salário mínimo ainda não conseguiu cumprir plenamente a intenção original da lei”, afirmou.
Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, um reajuste de 6,7%. Para Lula, a continuidade da política de valorização é essencial para promover justiça social e uma melhor distribuição da riqueza nacional. “Todos nós temos a obrigação de lutar para que o salário mínimo melhore. Vamos continuar trabalhando para aumentar o valor pago aos trabalhadores”, reforçou.
Dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que 35,3% dos trabalhadores brasileiros — cerca de 31,3 milhões de pessoas — recebiam até um salário mínimo naquele ano, evidenciando a relevância do piso para a renda da população.
A celebração dos 90 anos do salário mínimo ocorre em um contexto de retomada de políticas públicas voltadas à valorização do trabalho. Entre 2019 e 2022, o ganho real do salário mínimo foi de apenas 0,06%. Com a retomada da política de valorização em 2023, por meio da Lei nº 14.663/2023, passou a ser garantido aumento real anual. Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o ganho do poder de compra acima da inflação chegou a 11,8%.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, destacou que a política de valorização do salário mínimo foi um dos motores do desenvolvimento econômico do país, contrariando previsões de que os reajustes gerariam desemprego.
Pela regra atual, o salário mínimo é reajustado com base na inflação do ano anterior (INPC) somada ao crescimento do PIB de dois anos antes, respeitando o teto definido pelo arcabouço fiscal. A legislação transforma a valorização em política permanente, trazendo previsibilidade e segurança jurídica ao mercado de trabalho, com limite de até 2,5% de ganho real.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, ressaltou que, sem as políticas de valorização adotadas nos últimos governos, o salário mínimo estaria em torno de R$ 830. “Hoje, ele é de R$ 1.621 graças à decisão política de priorizar o trabalhador”, afirmou.
Somente o reajuste de 2026 deverá injetar cerca de R$ 82 bilhões na economia, estimulando o consumo e o comércio. Atualmente, a política de valorização beneficia diretamente 62,3 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores ativos, aposentados e beneficiários de programas assistenciais.
Criado em 1936 e implementado por Getúlio Vargas, o salário mínimo consolidou-se ao longo das décadas como um instrumento central de redução das desigualdades e promoção da justiça social no Brasil, garantindo um patamar mínimo de renda e dignidade aos trabalhadores.
Com informações de Agência Gov
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Ricardo Stuckert / PR
