Lula destaca desafios e otimismo com a realização da COP30 em Belém

Durante conversa com jornalistas estrangeiros nesta terça-feira (4/11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou sua confiança no sucesso da COP30, que será realizada em Belém do Pará em 2025. Segundo ele, desde o início, o governo estava ciente dos desafios logísticos e estruturais de sediar o evento na Amazônia, mas avaliou que os ganhos simbólicos e políticos seriam muito maiores do que os riscos.

“Quando decidimos trazer a COP para o estado do Pará, para a cidade de Belém e para a Amazônia, a primeira coisa que fizemos foi assumir um desafio contra aqueles que não acreditavam que seria possível. Nós sabíamos das condições do estado e da cidade, mas não queríamos comodidade — queríamos desafios e queríamos que o mundo viesse conhecer a Amazônia”, afirmou Lula.

Visitas e obras para a COP30

Nos últimos dias, Lula esteve em Belém e em diversas localidades do Pará para acompanhar as obras de infraestrutura e melhorias urbanas voltadas para a COP30. O presidente visitou a requalificação do Porto de Outeiro, a ampliação e modernização do Aeroporto Internacional de Belém, além de comunidades tradicionais como a Aldeia Vista Alegre do Capixauã (na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns), a Comunidade Jamaraquá (na Floresta Nacional do Tapajós) e o Quilombo Itacoã-Miri, em Acará (PA).

Ao fim das visitas, Lula reafirmou o otimismo com a realização do evento:

“Tenho certeza de que nós vamos fazer a melhor COP de todas as COPS já realizadas até hoje. Nós já fizemos o melhor G20, o melhor BRICS, e agora faremos a melhor COP.”

Razões para o otimismo

O presidente destacou quatro motivos centrais para o sucesso do encontro climático em Belém:

  1. Estrutura preparada para receber delegações e participantes de todo o mundo;
  2. Sistema de segurança reforçado e integrado;
  3. Hospitalidade e alegria do povo paraense, que farão os visitantes “se sentirem em casa”;
  4. Culinária regional rica e diversa, que promete ser um dos destaques culturais do evento.

“Os estrangeiros que vierem à COP30 vão sair orgulhosos de conhecer Belém, seu povo e sua culinária. Vão ser bem tratados e vão comer bem”, afirmou Lula.

Brasil como referência ambiental

Lula destacou que o Brasil é visto como um protagonista nas conferências climáticas da ONU, por suas políticas de preservação e engajamento social.

“O Brasil é uma espécie de campeão do diálogo nas COPs. Somos levados a sério porque temos resultados concretos para mostrar. O desmatamento na Amazônia caiu 50% em relação a 2022 e outros biomas também registram redução. Temos uma tradição de participação social no enfrentamento das mudanças climáticas”, disse o presidente.

Além da Amazônia, Lula lembrou que o país apresentará ao mundo seus outros cinco biomas — Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampa — e suas políticas de conservação.

Transição energética e liderança global

O presidente destacou ainda o protagonismo do Brasil na transição energética, afirmando que o país tem 87% de sua matriz elétrica composta por fontes renováveis.

“Poucos países do mundo alcançaram o sucesso que o Brasil tem na sua transição energética. Somos grandes produtores de biocombustíveis, etanol, energia eólica, solar e estamos entrando na era do hidrogênio verde”, afirmou Lula.

Ele também ressaltou o papel histórico do Brasil nas negociações multilaterais:

“O Brasil sempre foi um ator decisivo nas discussões internacionais. Somos respeitados porque conciliamos o desenvolvimento econômico com a responsabilidade ambiental.”

Debate sobre petróleo na Amazônia

Questionado sobre as críticas à possível exploração de petróleo na margem equatorial, Lula reiterou que qualquer exploração será feita com rigor técnico e responsabilidade ambiental.

“Temos autorização apenas para o teste. Se o petróleo for encontrado, tudo será reavaliado antes de qualquer licença. E, se houver exploração, será feita da forma mais cuidadosa possível”, garantiu.

O presidente ponderou, no entanto, que nenhum país pode abrir mão do petróleo de forma imediata, considerando a atual dependência energética mundial.

“Seria incoerente dizer que não vamos mais usar petróleo. Nenhum país sobrevive sem ele hoje. O que precisamos é de responsabilidade e transição planejada”, concluiu.

Com informações de Agência Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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