Lula e Dilma exaltam 10 Anos do NDB: Foco em Reforma Financeira e Clima

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, participaram da celebração de 10 anos da instituição na manhã desta sexta-feira (4/7), no Rio de Janeiro. Lula enfatizou a importância do “Banco do BRICS” para impulsionar a reforma de instituições financeiras internacionais, um tema central nas negociações para a Declaração Final do BRICS deste ano.

NDB: Fruto de Países Emergentes e Novo Modelo de Desenvolvimento

Lula relembrou a criação do NDB na Cúpula de Fortaleza de 2014, definindo-o como “um marco na atuação conjunta dos países emergentes”. Ele destacou que o banco é resultado do desejo de superar o “profundo déficit de financiamento para o desenvolvimento sustentável”, em um cenário onde as instituições financeiras tradicionais limitam o crédito há décadas. O presidente também mencionou a parceria do NDB na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza (durante a presidência brasileira do G20) e na Rede de Pesquisa de Tuberculose do BRICS.

Dilma Rousseff, que era presidente da república na criação do banco, reforçou: “A criação do Novo Banco de Desenvolvimento, mais do que um simples marco institucional, foi algo maior, uma declaração política de intenções e de práticas”. Ela projetou que, na próxima década, o NDB consolidará seu papel de liderança para um “desenvolvimento equitativo, sustentável e autônomo em um mundo multipolar”, buscando ser uma instituição não só sólida financeiramente, mas também politicamente relevante e transformadora.

Lula reiterou a importância do NDB para o debate de reforma de instituições financeiras internacionais no eixo de Finanças do BRICS, afirmando: “Nosso banco é mais do que um grande banco para a saída emergente. Ele é a comprovação de que uma arquitetura financeira reformada e um novo modelo de desenvolvimento mais justo é possível”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também presente, destacou o aprendizado do NDB com outras instituições e seu compromisso com a equidade. “Ao celebrarmos os 10 anos do NDB, reafirmamos nossa convicção de que é possível construir um modelo de cooperação sensível às necessidades dos nossos países”, disse Haddad, que também participará da reunião técnica de Finanças do BRICS nesta tarde e da ministerial no sábado (5/7), ao lado de ministros da África do Sul, Índia e Rússia.

Financiamento Climático e Impacto na Amazônia

O financiamento climático foi um ponto-chave na discussão do NDB e do agrupamento, sendo parte da Declaração Final do BRICS. Lula apontou que “a Conferência de Sevilla, encerrada há poucos dias, deixou claro que os recursos para a implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) ainda não estão disponíveis na velocidade e na quantidade necessária”. Ele contrastou isso com o NDB, que “assenta a sua governança na igualdade”.

O presidente ressaltou a crescente contribuição do NDB na promoção de uma transição justa e soberana. Desde sua criação, mais de 120 projetos de investimento, totalizando US$ 40 bilhões, foram aprovados para áreas como energia limpa, eficiência energética, transporte, proteção ambiental e abastecimento de água. No Brasil, o NDB já financiou mais de 20 projetos, somando US$ 3,5 bilhões, com destaque para sua “rápida ação, diante da catástrofe causada pelas enchentes no Rio Grande do Sul”.

Lula acrescentou que o compromisso do NDB de destinar 40% de seus financiamentos a projetos de desenvolvimento sustentável está alinhado com a Declaração sobre o Financiamento Climático, que será adotada na Cúpula do BRICS. “Essa é uma iniciativa que serve de estímulo e mobilização de recursos na reta final, que nos levará à COP30, em Belém, no coração da Amazônia”, disse Lula, reforçando o desafio brasileiro de alcançar US$ 1,3 trilhão para o financiamento climático mundial na COP30.

Dilma Rousseff também sublinhou a importância do financiamento climático, garantindo o esforço do NDB para avançar na agenda. “O financiamento climático, mais do que uma mera promessa, deve ser um mecanismo concreto em prol da adaptação, transição energética e resiliência, principalmente nos países mais afetados por eventos climáticos extremos. O NDB precisa estar na vanguarda desse esforço, ampliando os investimentos em infraestrutura verde, energia limpa, transição energética e tecnologias inteligentes para o clima”, concluiu.

Com informações de Agência Gov.

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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