Lula envia novo Plano Nacional de Cultura ao Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, nesta segunda-feira (17), no Palácio do Planalto, a importância da cultura como força estratégica para o desenvolvimento do país. Durante a cerimônia que marcou o envio do Projeto de Lei do Plano Nacional de Cultura (PNC 2025–2035) ao Congresso Nacional, Lula pediu uma “revolução cultural” no Brasil e reforçou o papel transformador do setor.

Segundo o presidente, o novo Plano Nacional de Cultura simboliza o fortalecimento da política cultural brasileira após anos de descontinuidade e garante instrumentos permanentes para que ações culturais alcancem todos os territórios do país.

“Vocês representam a alma e a mente do povo brasileiro. Façam a revolução cultural que o Brasil precisa. Nunca mais alguém deve ter coragem de dizer que a cultura não vale nada”, afirmou Lula.

Novo Plano Nacional de Cultura substitui ciclo encerrado em 2024

O novo PNC substitui o plano anterior — encerrado em dezembro de 2024 após prorrogações motivadas pela extinção do Ministério da Cultura na gestão passada. Durante o evento, também foi assinado o decreto que cria a Comissão Intergestores Tripartite (CIT), que acompanhará a execução do orçamento da cultura.

A cerimônia marcou ainda a abertura do Encontro de Comitês e Agentes Territoriais de Cultura, que reúne representantes de todos os estados para debater ações de base comunitária.

Lula ressaltou que a cultura precisa chegar “a cada bairro”, valorizando quilombolas, indígenas, comunidades ribeirinhas e grupos tradicionais.

“É a realização de um sonho antigo: transformar a cultura em um movimento de base, popular e libertador”, completou.

Participação social inédita na construção do Plano

O PNC 2025–2035 foi construído por meio de ampla mobilização nacional. O processo começou na 4ª Conferência Nacional de Cultura, em março de 2024 — a primeira em 10 anos. Mais de 3 mil delegados participaram e 30 propostas foram priorizadas.

O debate seguiu com oficinas territoriais em todos os 26 estados e no DF, além de uma etapa digital pela plataforma Brasil Participativo, com mais de 85 mil acessos.

Ministra Margareth Menezes destaca impacto econômico da cultura

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, reforçou que o novo plano representa um modelo articulado e estruturado de política pública.

“A cultura representa 3,11% do PIB brasileiro. Não é enfeite: é estruturante, é transformadora e promove união”, afirmou.

O secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, acrescentou que o plano ultrapassa governos e se consolida como projeto de país.

Oito princípios, 21 diretrizes e eixos inovadores

O PNC estabelece oito princípios e 21 diretrizes que orientarão as políticas culturais na próxima década. O ponto central é a garantia dos direitos culturais, que incluem:

  • acesso e produção cultural
  • liberdade de criação sem censura
  • preservação da memória e do patrimônio
  • reconhecimento de saberes tradicionais
  • participação e acessibilidade
  • direitos autorais e remuneração justa

Entre os oito eixos estratégicos, destacam-se dois novos:

  • Cultura, Bem Viver e Ação Climática
  • Cultura Digital e Direitos Digitais

O Plano também incorpora transversalidades como interseccionalidade, territorialidade, acessibilidade cultural e valorização das culturas indígenas e afro-brasileiras.

Agentes Territoriais fortalecem presença da cultura nos territórios

Desde domingo (16), Brasília recebe o Encontro do Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), que reúne Agentes Territoriais de Cultura selecionados por Institutos Federais de cinco estados. O objetivo é consolidar experiências e fortalecer ações culturais locais.

A representante da sociedade civil, Marja Gabriel, destacou que o processo do PNC foi inclusivo e plural.

“Sou uma travesti e sei que corpos como o meu raramente chegam ao Palácio do Planalto. Estar aqui mostra que o Brasil que estamos reconstruindo é maior que os limites que tentaram nos impor.”

Cultura como ferramenta de desenvolvimento

Previsto desde a Constituição de 1988, o Plano Nacional de Cultura busca articular políticas federais, estaduais e municipais, fortalecer a produção cultural, democratizar o acesso e valorizar a diversidade brasileira.

Com o envio do PNC 2025–2035 ao Congresso, o governo reforça a institucionalização da política cultural e reafirma a cultura como vetor de cidadania, identidade, economia e inovação.

Com informações de agência Gov.

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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