Lula reforça parceria Brasil–Moçambique e propõe nova agenda econômica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira (24/11) do encerramento do Encontro Empresarial Brasil–Moçambique, realizado em Maputo. A agenda integra a série de compromissos de Lula no continente africano, após sua participação na Cúpula do G20, reuniões bilaterais com líderes de seis países e presença na Cúpula do Fórum de Diálogo Índia–Brasil–África do Sul (IBAS). Durante a visita, Lula também concedeu coletiva ao lado do presidente moçambicano, Daniel Chapo, e assinou nove novos atos de cooperação.

Ao discursar para empresários brasileiros e moçambicanos, Lula ressaltou a necessidade de aprofundar a relação entre Brasil e África, destacando que a retomada dessa aproximação é fundamental. Ele lembrou que o comércio bilateral, que já alcançou quase US$ 170 milhões, caiu para cerca de US$ 40 milhões em 2024, concentrado principalmente em poucos produtos, como frango e tabaco.

Segundo o presidente, fortalecer a presença brasileira no continente é também um ato de reconhecimento histórico. “Visitar a África é assumir uma dívida de 350 anos de escravidão, que não pode ser paga em dinheiro, mas em amizade, solidariedade e transferência de tecnologia”, afirmou.

Lula ainda destacou que países como Tanzânia e Serra Leoa recebem hoje mais exportações brasileiras do que Moçambique, reforçando que o dinamismo econômico africano exige maior atenção do setor privado. A comitiva incluiu ministros e grandes empresas brasileiras, representando setores estratégicos da indústria, tecnologia, ciência e produção.

O presidente também enfatizou que o Brasil está ampliando sua presença no comércio global como forma de enfrentar pressões unilaterais e defender o multilateralismo. Ele lembrou que o país abriu 486 novos mercados em dois anos e meio, reforçando a estratégia de diversificação das exportações. Para ele, há grande potencial de integração entre a Zona de Livre Comércio Africana e o Mercosul.

Lula também defendeu a retomada de investimentos brasileiros em Moçambique e citou como passo fundamental a ratificação do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, firmado em 2015. Ele apontou oportunidades de parceria em áreas como energia, biocombustíveis, saúde, agricultura, defesa e tecnologia, destacando o potencial agrícola moçambicano, semelhante ao cerrado brasileiro.

Na área educacional, Lula anunciou que, a partir de 2026, o Ministério da Educação e a Agência Brasileira de Cooperação oferecerão 80 vagas para formação de formadores em ciências agrárias e 400 vagas em cursos técnicos de agropecuária para profissionais moçambicanos.

Outros setores também receberão atenção do governo brasileiro, como saúde e energia, com foco em minerais críticos, como lítio e cobalto, essenciais para a transição energética global. Lula reforçou que a exploração dessas riquezas deve garantir soberania aos países africanos, defendendo que o Brasil não atuará apenas como exportador de recursos minerais, mas como participante da industrialização e agregação de valor.

Com informações de Agência Gov

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Ricardo Stuckert

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