Moraes Concede Liberdade Provisória a Rodrigo Bacellar e Mantém Afastamento

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liberdade provisória ao deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A decisão (Petição 14969) veio após a Alerj revogar a prisão preventiva decretada contra o parlamentar na última quarta-feira (3).

Apesar da liberdade, Bacellar continuará afastado da presidência da Alerj durante a investigação e terá que cumprir uma série de medidas cautelares rigorosas.

Medidas Cautelares e Vazamento de Informações

A prisão de Bacellar ocorreu no âmbito das investigações sobre o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun da Polícia Federal. Segundo a PF, há fortes indícios de que Bacellar obstruiu operações policiais e colaborou para frustrar mandados contra o ex-deputado Thiago dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, apontado como aliado do Comando Vermelho.

Moraes destacou que, embora a Alerj tenha revogado a prisão (conforme previsto na Constituição para parlamentares), o Judiciário mantém a competência para aplicar medidas cautelares que não impeçam o exercício do mandato.

As cautelares impostas a Rodrigo Bacellar são:

  • Uso de tornozeleira eletrônica.
  • Recolhimento domiciliar das 19h às 6h (segunda a sexta), e integralmente em finais de semana, feriados e dias de folga.
  • Suspensão do porte de arma.
  • Proibição de comunicação com os outros investigados no processo.
  • Entrega de passaportes.

Operação Zargun

A Operação Zargun foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em setembro de 2025 e tinha como alvo principal o então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva (TH Joias), devido a fortes indícios de ligação dele com o Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa do Rio de Janeiro.

Objetivos da Operação

  • Desarticular um esquema de corrupção e infiltração na administração pública do Rio de Janeiro.
  • Prender agentes políticos e públicos envolvidos com o Comando Vermelho.

Descobertas e Acusações Centrais

  • Armas e Contrabando: A investigação apontou que o esquema envolvia a importação de armas do Paraguai e, especialmente, de equipamentos antidrone da China. Esses equipamentos seriam revendidos, inclusive para facções rivais, e usados para impedir ou frustrar operações policiais em áreas dominadas pelo tráfico.
  • Infiltração na Política: A organização criminosa se infiltrou na administração pública para garantir impunidade e acesso a informações sigilosas.
  • Vazamento de Informações: O caso ganhou uma nova dimensão com a suspeita de que Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, teria vazado informações sigilosas sobre a Operação Zargun para TH Joias na véspera da ação, permitindo que ele tentasse se desfazer de provas.

O Ex-Deputado “TH Joias”

Thiego Raimundo dos Santos Silva, de 36 anos, é um político e designer de joias, que utilizava o apelido de sua marca, “TH Joias”, para se promover.

Perfil e Carreira

  • Origem do Apelido: Antes de ingressar na política, ele construiu carreira como ourives, vendendo joias de luxo, como correntes e pingentes de ouro, para funkeiros, jogadores de futebol (como Neymar e Vini Jr.) e artistas. O apelido “TH Joias” se popularizou em seu negócio.
  • Mandato Político: Foi eleito deputado estadual em 2022. Em seu breve mandato, apresentou propostas nas áreas de educação, saúde e empreendedorismo. Ele foi expulso do MDB após sua prisão.

Ligação com o Comando Vermelho

A PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) acusaram o ex-deputado de ser um braço político do Comando Vermelho. As acusações contra ele incluem:

  • Intermediação de Crimes: Suspeita de usar o cargo para intermediar tráfico de drogas, venda de armas (como fuzis) e o comércio de equipamentos antidrones para a facção, principalmente no Complexo do Alemão.
  • Favorecimento Político: A investigação aponta que ele teria nomeado comparsas do CV para cargos na Alerj, inclusive a esposa de um traficante.
  • Obstrução de Operações: Há suspeitas de que ele teria usado sua influência para tentar intermediar a retirada de batalhões de choque de comunidades, visando beneficiar os interesses do CV.

TH Joias foi preso preventivamente em setembro de 2025 e indiciado por crimes como integrar organização criminosa armada, contrabando, tráfico de drogas interestadual e violação de sigilo profissional.

O caso é considerado pela Polícia Federal como um “retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio de Janeiro”, com agentes políticos atuando para inviabilizar operações contra o crime organizado.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto:

WhatsApp