MPF move ação para recuperar orla de Pedra de Guaratiba no Rio

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública contra a União e o Município do Rio de Janeiro, exigindo medidas urgentes para o ordenamento urbanístico e a recuperação ambiental da orla de Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste carioca. A ação aponta um histórico de omissão do poder público diante de ocupações irregulares em Áreas de Proteção Ambiental (APA).

A região afetada abriga ecossistemas vitais e sensíveis, como:

  • Manguezais (berçários naturais de vida marinha);
  • Áreas de restinga;
  • Remanescentes de Mata Atlântica.

Segundo o MPF, a expansão desordenada ao longo de décadas avançou sobre bens da União, incluindo praias e terrenos de marinha, sem fiscalização eficaz.

Falha na Fiscalização e “Estado de Coisas Ilícito”

A ação relata que as medidas tomadas pela prefeitura até hoje foram insuficientes, limitando-se a multas sem acompanhamento posterior. Já a União é acusada de negligência na proteção de seu patrimônio territorial.

Diante da gravidade, o MPF solicita que o caso seja tratado como um processo estrutural. Isso significa que o Judiciário não deve apenas punir, mas reorganizar a gestão pública para substituir o atual “estado de coisas ilícito” por um modelo sustentável que previna novas invasões e recupere áreas degradadas.

Meio Ambiente vs. Direito à Moradia

O órgão destaca que, em questões ambientais, não existe o “fato consumado” (quando uma ocupação é mantida apenas por ser antiga). No entanto, o MPF reconhece o conflito com o direito fundamental à moradia e propõe soluções graduais:

  1. Regularização Fundiária: Para construções que possam ser legalizadas dentro dos limites da lei.
  2. Remoção Necessária: Edificações em áreas de uso comum (como a faixa de areia) ou áreas de risco devem ser removidas.
  3. Políticas Habitacionais: Em caso de remoção, o poder público deve garantir realocação digna ou auxílio habitacional aos moradores.

Próximos Passos

O MPF pede que a Justiça Federal estabeleça diretrizes imediatas, obrigando a União e o Município a realizarem vistorias técnicas, elaborarem um plano de regularização urbanística e implementarem uma fiscalização contínua para impedir o avanço da degradação na orla fluminense.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Foco na viagem 

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