MPRJ Consegue Condenação de Chilenos por Racismo em Jogos no Rio

O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAEDEST/MPRJ) obteve a condenação de dois cidadãos chilenos por racismo, em crimes praticados em jogos de futebol no mês de maio. Baltazar Martín López fez gestos racistas no Maracanã, em 14/05, durante Fluminense x Unión Española. Já Gianny Antonio Gonzalez de La Vega Galvez cometeu o crime no Engenhão, após Botafogo x Universidad de Chile.

Justiça Condena e Proíbe Acesso a Eventos Esportivos

A decisão judicial enfatiza que a conduta dos réus fere a dignidade humana e que o racismo é crime imprescritível, visando combater a discriminação. “Ora, sabe-se que o futebol desperta paixões, que muitas vezes exaltam os ânimos dos torcedores e jogadores. Contudo, não se pode permitir que seja ultrapassado o limite da licitude. A provocação feita por torcida adversária não pode ser utilizada como justificativa para a prática de crime de tamanha gravidade, como é o de racismo”, pontuou o Juízo.

O Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos condenou os réus a dois anos de prisão, pena que foi substituída pelo pagamento de valores em dinheiro. Além disso, a Justiça determinou que eles estão proibidos de frequentar locais destinados a práticas esportivas, artísticas ou culturais por três anos.

MPRJ Intensifica Ações e Lança Campanha “Estamos Vigilantes”

Atento ao problema, o GAEDEST/MPRJ já havia iniciado uma ação contra o racismo nos estádios antes mesmo desses casos. A campanha “Estamos Vigilantes” busca sensibilizar o público para denunciar atos discriminatórios, além de reforçar a presença de promotores nas arenas em dias de jogos.

Com a retomada das competições sul-americanas de futebol na próxima semana, o Ministério Público voltará a atuar ativamente, tanto in loco quanto por meio do circuito interno de câmeras dos estádios, para punir os autores rapidamente.

A campanha “Estamos Vigilantes” destaca a importância da participação ativa dos torcedores e profissionais das partidas para um ambiente mais seguro e respeitoso, reforçando que denunciar é dever de todos. A iniciativa reúne jogadores dos principais clubes cariocas, torcedores, jornalistas, profissionais de segurança e promotores de Justiça.

O MPRJ orienta que qualquer pessoa que presencie um ato de discriminação deve se manifestar imediatamente, acionando policiais militares, a segurança do estádio ou o promotor de Justiça de plantão no Juizado do Torcedor. É possível também enviar imagens e informações para a Ouvidoria do MPRJ pelo número 127 ou por um formulário online, colaborando com a investigação.

A iniciativa conta com o apoio da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT/CI2) do MPRJ, que realizou visitas técnicas aos estádios para avaliar e sugerir melhorias nos sistemas de câmeras para monitoramento e reconhecimento. A equipe técnica também estará presente nos estádios para captar áudios e vídeos e identificar cânticos, gestos e ofensas racistas. A ação tem ainda o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Confederação Sul-Americana (CONMEBOL).

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

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