MPRJ denuncia grupo por fraude digital e lavagem de R$ 150 milhões

O Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGAECO) do MPRJ denunciou 11 integrantes de uma organização criminosa especializada em fraudes digitais e lavagem de capitais. Segundo a investigação, o grupo movimentou mais de R$ 150 milhões entre 2021 e 2024.
A operação realizada nesta quarta-feira (04/03) cumpriu quatro mandados de prisão — dois no Rio de Janeiro e dois no Maranhão — além de 23 mandados de busca e apreensão.
Como funcionava o esquema
De acordo com a denúncia, o grupo:
- Explorava falhas sistêmicas de fintechs e plataformas de pagamento
- Criava identidades digitais falsas
- Abria múltiplas contas com documentos falsificados
- Realizava fraudes sucessivas de estelionato
- Utilizava exchanges internacionais para ocultar valores
A apuração em apenas uma empresa de tecnologia financeira identificou 238 contas digitais usadas para explorar vulnerabilidades no sistema.
Segundo o MPRJ, os criminosos se aproveitavam de modelos de negócio que priorizam agilidade na abertura de contas, com verificações digitais menos rigorosas.
Lavagem de capitais e criptoativos
Após a obtenção dos valores ilícitos, o grupo estruturava um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, que incluía:
- Uso de criptoativos
- Simulação de compra e venda de veículos
- Aquisição de terrenos e imóveis
- Empresas de fachada
- Envio de recursos ao exterior por meio de plataformas de criptomoedas
O objetivo era dificultar o rastreamento e a recuperação dos ativos.
Liderança e conexões
Os mandados de prisão foram expedidos contra:
- Yago de Araújo Silva, apontado como líder
- Saulo Zanibone de Paiva, descrito como braço direito
- Celis de Castro Medeiros Junior
- Alex Maylon Passinho
As investigações também identificaram transações de Yago em favor da GAS Consultoria, empresa ligada a Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como “Faraó dos Bitcoins”, denunciado e preso anteriormente por lavagem de dinheiro.
Pedido de bloqueio de bens
O CyberGAECO requereu à Justiça o sequestro de bens no valor de R$ 150 milhões, correspondente ao montante movimentado pelo grupo.
A operação contou com apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e das forças de segurança do Maranhão.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto Divulgação / MPRJ
