MPRJ desarticula esquema ligado a milícia e jogo do bicho no Rio

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, por meio do GAECO/MPRJ, realizou nesta quinta-feira (19/03) uma operação contra uma organização criminosa ligada ao ex-miliciano Adriano da Nóbrega. A ação, batizada de Operação Legado, resultou no cumprimento de dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro.
A investigação aponta que o grupo criminoso manteve e ampliou suas atividades mesmo após a morte de Adriano da Nóbrega, em 2021, estruturando um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro, contravenção e exploração do jogo do bicho.
Operação Legado mira lavagem de dinheiro e milícia no RJ
Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas pelo MPRJ, incluindo o deputado federal Rogério Teixeira Júnior. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Especializada em Crime Organizado da Comarca da Capital.
As denúncias foram divididas em três ações penais, que detalham:
- lavagem de dinheiro oriunda do jogo do bicho na Zona Sul;
- atuação da organização criminosa ligada à milícia;
- ocultação e branqueamento de patrimônio ilícito.
Esquema milionário com empresas de fachada
De acordo com o GAECO/MPRJ, a organização utilizava empresas de fachada para movimentar recursos ilegais. A análise de apenas quatro empresas identificou transações superiores a R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano.
Entre os negócios utilizados estavam:
- depósito de bebidas;
- bar e restaurante;
- um quiosque de serviços estéticos na Zona Norte, que movimentou cerca de R$ 2 milhões em apenas seis meses.
As investigações também revelaram a atuação do grupo na exploração do jogo do bicho em Copacabana, área tradicional da Zona Sul carioca.
Patrimônio oculto e imóveis ligados à milícia
O MPRJ identificou dois imóveis rurais atribuídos a Adriano da Nóbrega, avaliados em R$ 3,5 milhões, registrados em nome de terceiros.
Segundo a investigação, após a morte do miliciano, sua viúva, Julia Lotufo, teria vendido as propriedades ao deputado Juninho do Pneu, que foi denunciado no caso. Não há, no entanto, mandados de prisão contra o parlamentar.
O Ministério Público Federal entendeu que não há relação direta entre os fatos investigados e o mandato parlamentar, afastando o foro privilegiado.
Organização criminosa continuou ativa após morte de Adriano
A terceira ação penal aponta que a organização criminosa permaneceu ativa e se tornou ainda mais estruturada após a morte de Adriano da Nóbrega.
De acordo com o GAECO, Julia Lotufo teria assumido posição de liderança, controlando a contabilidade e os ativos do grupo. As atividades ilícitas incluíam:
- agiotagem;
- contravenção;
- atuação no mercado imobiliário irregular.
Entre os denunciados também está Raimunda Veras Magalhães, mãe do ex-miliciano.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto VLV Advogados
