MPRJ intensifica combate à infiltração do crime nas forças de segurança

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, destacou nesta semana a atuação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) no combate à infiltração de organizações criminosas nas forças de segurança do estado.
Somente nesta semana, 19 policiais foram alvos de operação do MPRJ contra agentes públicos suspeitos de cooperação com o crime organizado. De acordo com o procurador-geral, as investigações fazem parte de um esforço contínuo para identificar e responsabilizar servidores que atuam em benefício de grupos criminosos.
Segundo dados divulgados pelo MPRJ, mais de 140 agentes públicos foram denunciados em 2025 por investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ) e pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ). Além disso, 260 policiais militares foram denunciados pelas Promotorias de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar.
“Os números reforçam a importância da nossa luta contra o crime organizado, uma vez que as organizações criminosas seguem cooptando agentes públicos. Identificar e responsabilizar esses delinquentes travestidos de policiais é compromisso permanente do MPRJ”, afirmou Antonio José Campos Moreira.
Credibilidade das forças de segurança
O procurador-geral também alertou para os impactos da infiltração criminosa na credibilidade das instituições responsáveis pela segurança pública.
Segundo ele, a cooptação de agentes públicos compromete a imagem das forças de segurança, que são formadas majoritariamente por profissionais honestos.
“Essa cooptação compromete seriamente a imagem dos órgãos responsáveis pela segurança pública, integrados por uma imensa maioria de servidores honestos e comprometidos com a defesa da sociedade”, afirmou o procurador-geral.
Além da questão institucional, o chefe do MPRJ destacou que a atuação de agentes corrompidos pode prejudicar investigações e operações policiais.
Operação contra policiais ligados ao jogo do bicho
Na última terça-feira (10), o GAECO cumpriu mandados de prisão preventiva contra 19 policiais, entre militares, penais — ativos e inativos — e um policial civil aposentado.
Segundo as investigações, os agentes foram cooptados para integrar o núcleo de segurança do contraventor Rogério de Andrade, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no estado.
O grupo atuava na proteção pessoal do contraventor e na segurança de pontos de exploração ilegal de jogos de azar na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Denúncia contra policiais por roubo
Ainda neste mês, em 6 de março, três policiais militares foram denunciados pelo MPRJ por roubo qualificado durante uma abordagem a um ônibus no Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.
No mesmo dia, o Grupo de Atuação Especializada do Tribunal do Júri (GAEJURI/MPRJ) obteve a condenação do policial militar Leandro Machado da Silva a 30 anos de prisão pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo.
O crime ocorreu em 2024, quando o advogado foi morto a tiros no Centro do Rio de Janeiro.
Mais de 260 policiais militares denunciados
Um levantamento mais amplo divulgado pelo MPRJ mostra a dimensão das investigações envolvendo agentes públicos.
Em 2025, o GAECO/MPRJ e o GAESP/MPRJ apresentaram 144 denúncias contra agentes públicos suspeitos de participação em práticas ilícitas.
No mesmo período, as Promotorias de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar apresentaram 186 denúncias contra 261 policiais militares.
Entre os crimes investigados estão:
- organização criminosa
- corrupção
- peculato
- homicídio
- fraude
- crimes contra a administração pública
Segundo o MPRJ, as ações fazem parte do controle externo da atividade policial, uma das atribuições constitucionais do Ministério Público.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
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