MPRJ mira grupo que fabricava armas em impressoras 3D

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (CyberGAECO), denunciou cinco integrantes de uma organização criminosa suspeita de desenvolver, produzir e vender peças e acessórios de armas de fogo fabricados em impressoras 3D.

Os acusados responderão na Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas de fogo.

Nesta quinta-feira (12), o MPRJ deflagrou a Operação Shadowgun, com o objetivo de cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em outros estados: Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba.

A ação contou com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e de unidades do GAECO em diversos estados. Forças de segurança de Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia e Roraima também deram suporte ao cumprimento de ordens judiciais.

Investigação aponta líder do projeto

De acordo com o MPRJ, a investigação revelou o crescimento do fenômeno da fabricação caseira de armas a partir de peças plásticas produzidas em impressoras 3D.

Entre os denunciados está Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido na internet como “Zé Carioca”, apontado como desenvolvedor de um dos projetos de armas 3D mais populares dentro dessa subcultura global.

Segundo a denúncia, ele promovia os produtos com o slogan: “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa”.

Apesar das tentativas de manter o anonimato fora do ambiente virtual, as investigações identificaram sua identidade e o esquema de produção e comercialização de arquivos digitais e peças para montagem de armas de fogo.

Peças teriam sido vendidas a criminosos

O MPRJ informou que apenas em uma plataforma de vendas foram identificados 79 registros de transações realizadas por Lucas Alexandre, a maioria com compradores no estado do Rio de Janeiro.

A análise do histórico de vendas apontou que parte dos produtos foi adquirida por pessoas com antecedentes criminais, incluindo um homem acusado de dois homicídios e outros investigados por ligação com milícias e tráfico de drogas.

Outro integrante com papel relevante na organização seria Gianluca Bianchi, apontado como coprodutor das peças. A denúncia também indica que uma empresa de ferragens ligada ao pai de Gianluca teria sido utilizada para desenvolver componentes metálicos necessários ao funcionamento das armas 3D.

Cooperação internacional

A investigação começou após relatório técnico do Ciberlab, vinculado ao Ministério da Justiça, e contou com cooperação da Homeland Security Investigations (HSI), dos Estados Unidos, e da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

Segundo o MPRJ, apesar da cooperação internacional, os crimes ocorreram exclusivamente dentro do território brasileiro, já que as vendas foram feitas entre particulares no país. Por esse motivo, a competência do caso foi fixada no estado do Rio de Janeiro, onde foi identificado o maior número de compradores.

O Ministério Público destacou ainda que, pela legislação brasileira, a fabricação de armas de fogo — mesmo em ambiente doméstico — é equiparada à atividade comercial, sujeitando os responsáveis às mesmas penas previstas para o comércio ilegal de armamentos.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Divulgação / Governo de SP

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