Prezado Editor,
Às vezes, para fazermos justiça, varrer certos lixos da nossa sociedade, é preciso mexer com o emocional e até despertar sonhos inatingíveis das pessoas. Acho interessante como o ser humano é fraco, permitindo-se ser manipulado como pedras, em um jogo de tabuleiro.
O Cabo Gervásio, por exemplo, era meu cliente/confessor e me revelou a sua obsessão pela vida de Paulinho ou Dr. Paulo Alberto. Gervásio sempre o espreitava em frente ao seu prédio. Quando Paulo Alberto ia em alguma boate badalada, ficava nos arredores, esperando sair do local para contemplar sua roupa, a da sua namorada e até em sua formatura, no curso de Medicina; o policial-militar ficara a noite inteira parado em frente ao clube. Não tinha vida própria, vivia a vida do “amigo”.
Seus destinos eram completamente diferentes, enquanto Paulo vivia uma vida classe média alta, estudava nos melhores colégios, frequentava os lugares mais badalados da cidade, namorava as meninas mais bonitas e mais ricas da alta sociedade carioca, Gervásio só estudara até o ensino médio, marava em um subúrbio distante e só se satisfazia sexualmente com profissionais.
Em nossos encontros, confessou-me que não conseguia se desvincular de Paulinho, não o admirava, simplesmente, ou se espelhava nele, queria ser ele, viver a vida dele. Revelei-lhe que havia alguém que poderia ajudá-lo, que tinha o poder de fazer que uma pessoa se transformasse em outra: Manuelita Hernandez. Por isso, recomendei-lhe que se aproximasse de sua neta, Conchita, e lhe dei o endereço do galpão onde funcionava a Rinha de Gordas, no Catumbi.
Em breve, concluirei essa sórdida e macabra trama.
Cordialmente,
O Anjo Epistolar
NÃO PERCAM O CAPÍTULO DE AMANHÃ.
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Muito boa essa trama!