O caldeirão

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Na manhã seguinte, em seu quarto, o remorso lhe corria. Na noite anterior, fora até aquela casa de rituais sigilosos. Por telefone, foi dada a ele uma senha secreta para adentrar naquele templo.

– Serpente – disse, ainda no portão para um homem vestido de preto.

Ao chegar em uma recepção, uma linda jovem, também vestida de preto, saudou-o:

– O senhor quer colocar o nome do inimigo do caldeirão do fogo?

– Sim, foi por isso que eu vim aqui.

Com entusiasmo, escreveu o nome do inimigo em um pedaço de papel e colocou em um saco.

No decorrer do ritual, invocando entidades obscuras, em nome de riqueza, poder e prosperidade, foi colocado um caldeirão, onde foram depositados os papéis com os nomes dos inimigos.

– Agora vocês precisam ter ódio no coração, mentalizar o que vocês querem que aconteça com o inimigo de vocês. Se sentirem remorsos, o mal irá voltar para vocês – dizia o Sumo-Sacerdote.

– Quero que meu inimigo morra de câncer, gritando de dor – mentalizou com ódio.

Em casa, em seu quarto, a consciência pesou, não havia necessidade para tanto ódio. Passivamente, espera o mal voltar para ele.

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