O dilema da vingança

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Às vezes, a única diferença entre um cidadão de bem e um indivíduo considerado malfeitor é que o primeiro tem muita coisa a perder e o outro não. Mesmo não me considerando exatamente mau, encaixo-me na segunda opção, pois não tenho mais nada a perder.

Cometi um erro, nada grave, que dava para ser esquecido, reconsiderado, mas um superior me denunciou. Fui exonerado do cargo e condenado pelo meu delito. Mesmo não ficando por muito tempo privado de minha liberdade, todos os meus projetos foram por água abaixo, pois, para realizar minha metas, precisava ter um histórico limpo e agora, a minha trajetória está maculada. A mim, resta apenas trabalhar em subempregos.

Como disse, não tenho mais nada a perder, quero me vingar de meu delator, tirando-lhe a vida, mas não com arma de fogo, pois essa mata rápido, só devemos usar em legítima defesa ou quando somos pagos para eliminar alguém e não queremos que o indivíduo sofra, no meu caso, precisa ser com crueldade.

Matar por vingança precisa ser com requinte, com muito ódio no coração para que o indivíduo sofra, ou então, eliminar um ente querido dele. Sei que meu delator passa em uma determinada rua, em um horário específico. Irei matá-lo a facadas, grunhindo feito um porco.

Chegou a hora. Fico o espreitando. Lá vem meu delator, segurando a mão de uma criança. Acho que é seu filho. Sim, é seu filho. Tenho um dilema: matarei ele ou a criança para que ele sofra bastante com a perda?

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