ONU apresenta orçamento de 2026 com cortes e alerta para risco de colapso

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou nesta sexta-feira (17) o orçamento da Organização das Nações Unidas para 2026, estimado em US$ 3,7 bilhões, acompanhado do programa de ação anual. O valor é financiado por contribuições obrigatórias dos Estados-membros e reflete a tentativa de equilibrar a operação global da instituição diante de crescentes dificuldades financeiras.

Guterres alerta para risco de colapso financeiro na ONU

Durante a apresentação, Guterres alertou que a incerteza nos pagamentos dos países e os atrasos recorrentes nas contribuições podem levar ao colapso do funcionamento regular da ONU já no próximo ano.

O secretário-geral afirmou que práticas como a devolução de verbas não recebidas e o atraso nos repasses criam uma “corrida rumo à falência” da instituição. Ele revelou que a ONU iniciou 2025 com um déficit de US$ 135 milhões, e que, sem ajustes, o saldo negativo pode ultrapassar US$ 450 milhões até o fim do ano.

Proposta de corte de US$ 577 milhões no orçamento

Diante do cenário crítico, Guterres propôs um relatório de estimativas revisado, reduzindo o orçamento em US$ 577 milhões, para US$ 3,2 bilhões — o que representa uma diminuição de 15,1% em relação à dotação de 2025.

A proposta também prevê o corte de 2.681 cargos, equivalente a 18,8% do quadro de pessoal atual. Segundo o líder da ONU, trata-se de uma “resposta pragmática à realidade fiscal e às expectativas dos Estados-membros”.

“O novo orçamento é guiado por um senso de urgência e pela ambição de tornar o Secretariado mais eficaz, ágil, resiliente e econômico”, afirmou Guterres.

Prioridades do programa de ação da ONU para 2026

Apesar das restrições financeiras, o programa de ação da ONU para 2026 inclui áreas prioritárias globais, como:

  • Proteção de civis em conflitos armados;
  • Combate ao terrorismo e avanço do desarmamento nuclear;
  • Implementação da Convenção da ONU contra o Crime Cibernético;
  • Combate aos fluxos financeiros ilícitos e recuperação de ativos (Resolução 79/190).

O plano também prevê investimentos em inovação, transformação digital, análise de dados e ciência comportamental, com o objetivo de modernizar o funcionamento interno da ONU e melhorar a eficiência das operações.

Redução em missões políticas e reorganização de prioridades

O orçamento de 2026 inclui o financiamento de 37 Missões Políticas Especiais, com redução líquida em função do encerramento da Missão no Iraque e da redução gradual da Missão na Somália.

Essas mudanças refletem a tentativa da ONU de racionalizar recursos sem comprometer suas principais ações de mediação de conflitos e manutenção da paz.

Participação dos países no financiamento da ONU

A escala de contribuições obrigatórias é definida com base na capacidade econômica de cada Estado-membro. Atualmente, os cinco países permanentes do Conselho de Segurança — que possuem poder de veto em decisões de paz e segurança — são os maiores financiadores:

  • Estados Unidos: 22% do orçamento total;
  • China: 20%;
  • Reino Unido: 3,9%;
  • França: 3,85%;
  • Rússia: 2%.

Outros países também contribuem proporcionalmente, mas a falta de pagamentos regulares de alguns membros tem agravado a crise de liquidez da ONU.

Com informações de ONU News

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: UN Photo/Evan Schneider

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