ONU: guerra na Ucrânia já deixou mais de 15 mil civis mortos

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que mais de 15 mil civis morreram e pelo menos 41 mil ficaram feridos desde o início da invasão em larga escala da Rússia contra a Ucrânia, iniciada em 24 de fevereiro de 2022. Os dados foram divulgados pela Missão da ONU que monitora a situação dos direitos humanos no país.

Além das mortes e feridos, o conflito forçou milhões de pessoas a deixarem suas casas e causou ampla destruição de infraestrutura, incluindo redes de energia, edifícios residenciais e instalações públicas. O tema será debatido nesta terça-feira (24) pelo Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, com a participação do secretário-geral António Guterres.

Crise energética e impacto humanitário

Nos primeiros meses de 2025 e no início deste ano, autoridades ucranianas registraram um dos períodos mais críticos para a população civil, com número de mortes superior ao registrado em 2023 e 2024 juntos. Ataques frequentes às redes de energia agravaram a situação, especialmente durante o inverno rigoroso.

Segundo o Escritório das Nações Unidas para Serviços de Projetos (Unops), moradores de diversas regiões têm acesso limitado à eletricidade. Em alguns casos, o fornecimento estável ocorre por apenas uma hora por dia, comprometendo o aquecimento, o abastecimento de água e serviços essenciais.

As temperaturas frequentemente atingem níveis extremos, chegando a menos 20 °C, o que aumenta os riscos à saúde, principalmente entre crianças, idosos e comunidades vulneráveis.

Ataques a unidades de saúde e infraestrutura

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou um aumento de 20% nos ataques contra instalações médicas em 2025, em comparação ao ano anterior. Desde o início da guerra, foram documentados 2.882 ataques contra hospitais, ambulâncias e centros de saúde, afetando profissionais, pacientes e estoques de medicamentos.

As agências da ONU também destacam que famílias e instituições enfrentam exaustão após anos de conflito, vivendo sob insegurança constante e incerteza quanto ao futuro.

Apelo por cessar-fogo e solução política

O diretor-executivo do Unops, Jorge Moreira da Silva, reforçou a necessidade de ampliar os esforços internacionais para reconstruir comunidades afetadas e apoiar a população.

A ONU voltou a pedir um cessar-fogo imediato e uma solução política para encerrar o conflito. Em comunicado, António Guterres afirmou que a guerra representa uma ameaça à paz e à segurança global e que sua continuidade agrava o sofrimento humano.

A Missão da ONU também relatou violações graves do direito internacional humanitário, incluindo execuções de prisioneiros e maus-tratos a detidos, com acusações direcionadas principalmente às autoridades russas, mas também com registros de abusos por forças ucranianas, especialmente no início do conflito.

Segundo o secretário-geral, uma paz duradoura deve ser baseada nos princípios da Carta das Nações Unidas e no respeito ao direito internacional.

Com informações de ONU News

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto UNICEF/Ian Dobronosov

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