ONU pede proteção de civis na escalada de violência no Oriente Médio

A ONU lançou um apelo urgente para a proteção de civis diante dos ataques aéreos israelenses e norte-americanos contra o Irã e da escalada de violência regional após contra‑ataques iranianos. Em Genebra, a porta‑voz do Escritório de Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, denunciou o “horror” do bombardeio de sábado em Minab, sul do Irã, que teria matado e ferido dezenas de alunas de uma escola primária. Imagens de mochilas manchadas de sangue ilustram “a destruição, o desespero, a insensatez e a crueldade” do conflito, disse ela.

Shamdasani informou que o alto comissário Volker Türk está “profundamente chocado” e pediu uma investigação rápida, imparcial e completa. Segundo a porta‑voz, cabe às forças que realizaram o ataque investigá‑lo, divulgar as conclusões e garantir responsabilização e reparação às vítimas. Se for comprovado que os ataques atingiram civis ou bens civis, ou foram indiscriminados, eles podem constituir graves violações do direito internacional humanitário e possíveis crimes de guerra.

A ONU manifestou preocupação com o bem‑estar dos iranianos, citando histórico de repressão letal a dissidentes e novas ameaças de autoridades. Shamdasani também pediu que as liberdades fundamentais sejam protegidas e criticou o bloqueio nacional da internet, que limita o acesso a informações essenciais.

Desde o início das hostilidades, com ataques de Israel e EUA contra o Irã e retaliações iranianas, a violência já atingiu pelo menos outros 12 países, causando destruição de residências, empresas, aeroportos e infraestrutura energética.

Deslocamentos no Líbano

Tropas israelenses entraram no sul do Líbano após ataques do Hezbollah ao norte de Israel, segundo agências. Babar Baloch, porta‑voz do ACNUR, relatou deslocamentos significativos no sul do Líbano, no Vale do Becá e nos subúrbios do sul de Beirute. Israel emitiu alertas de retirada para moradores de mais de 53 vilarejos libaneses e intensificou ataques aéreos. Quase 30 mil pessoas foram registradas em abrigos coletivos; muitas outras dormiram em carros ou permaneceram presas em congestionamentos ao fugir para Beirute.

Baloch alertou que países afetados já acolhem milhões de refugiados e deslocados internos, e que nova onda de violência pode sobrecarregar as comunidades anfitriãs. Interrupções no transporte de mercadorias também prejudicam rotas de abastecimento humanitário e o acesso à alimentação.

Impacto logístico

Em declarações no Cairo, Samer Abdel Jaber, diretor regional do Programa Mundial de Alimentos (WFP) para Oriente Médio e Norte da África, destacou bloqueios no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, que complicam rotas marítimas, causam atrasos e elevam custos das operações humanitárias. Com mares contestados e espaço aéreo fechado, o WFP busca alternativas por meio de fornecedores em Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão para viabilizar corredores terrestres.

Com informações de ONU News

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Unsplash/Kamran Gholami

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