Operação Doce Amargo desarticula rede de tráfico em quatro estados

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com a Polícia Civil do Mato Grosso, deflagrou nesta quinta-feira (30/10) a Operação Doce Amargo – Acorde Final, que resultou na prisão de 21 integrantes de uma organização criminosa interestadual voltada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
Um dos presos foi capturado no bairro de Pilares, na Zona Norte do Rio, durante ação coordenada por agentes da 12ª DP (Copacabana). Ao todo, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de contas bancárias e sequestro de bens, incluindo veículos utilizados no transporte de entorpecentes.
Investigação revelou estrutura complexa de tráfico interestadual
As investigações tiveram início em 2023, quando os agentes da Polícia Civil do Mato Grosso identificaram uma rede de narcotráfico atuando na baixada cuiabana, com ramificações nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
De acordo com a apuração, o grupo mantinha uma estrutura organizada e profissionalizada, responsável por armazenar, distribuir e comercializar grandes quantidades de drogas, como maconha, cocaína e haxixe.
A quadrilha utilizava imóveis conhecidos como “casas-cofre” para o armazenamento das drogas e mantinha rotas fixas de transporte interestadual, movimentando toneladas de entorpecentes por mês. Em uma das negociações interceptadas, os criminosos chegaram a discutir a venda de 300 quilos de drogas, dos quais 200 já haviam sido comercializados.
Sistema paralelo de finanças e ocultação de valores
Durante a investigação, os agentes descobriram que a organização também havia montado um sistema financeiro paralelo, com o uso de transferências via Pix para viabilizar pagamentos, disfarçar transações e ocultar a origem dos valores ilícitos.
As autoridades destacam que o grupo adotava métodos de dissimulação típicos de esquemas de lavagem de dinheiro, envolvendo laranjas, contas bancárias múltiplas e a compra de veículos de luxo.
“Trata-se de uma estrutura criminosa complexa, com divisão de tarefas e ramificações em vários estados. O grupo movimentava grandes valores e adotava medidas para tentar dificultar a ação policial, mas conseguimos atingir o núcleo financeiro e operacional da organização”, explicou um dos delegados responsáveis pela operação.
Fugas estratégicas e tentativas de obstrução
Os investigadores relataram que os suspeitos mudavam constantemente de endereço, em uma tentativa de dificultar o rastreamento e retardar o cumprimento de mandados.
Essa movimentação constante foi identificada por meio de monitoramento eletrônico e análise de dados telefônicos e bancários, o que permitiu aos policiais mapear o fluxo logístico e financeiro do grupo.
Bens e contas bloqueados pela Justiça
A operação contou com o apoio do Judiciário e do Ministério Público, que autorizaram o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens pertencentes aos investigados. Entre os bens apreendidos estão veículos usados para o transporte de drogas, imóveis e valores em dinheiro que ainda estão sendo contabilizados.
“O foco não é apenas prender os envolvidos, mas asfixiar financeiramente a estrutura criminosa, impedindo que o grupo continue operando”, destacou outro investigador da 12ª DP.
Próximas fases e investigações em andamento
As polícias civis informaram que a Operação Doce Amargo continua em andamento e que novas prisões e bloqueios patrimoniais poderão ser realizados nos próximos dias.
A ofensiva representa o encerramento de uma das maiores investigações recentes de tráfico interestadual no país e, segundo os investigadores, marca um avanço na integração entre forças policiais de diferentes estados para o enfrentamento de organizações criminosas com atuação em rede.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Divulgação
