Operação mira lixões clandestinos em Jardim Gramacho

Policiais civis da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, deflagraram nesta sexta-feira (13) uma operação contra uma organização criminosa suspeita de descarte clandestino de lixo em Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Ao todo, foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão em diversos municípios do Rio de Janeiro, incluindo Duque de Caxias, Magé, Belford Roxo, Mesquita, São João de Meriti, São Gonçalo, Paracambi, Seropédica, Resende e Paty do Alferes, além de São Lourenço, em Minas Gerais. Durante a operação, quatro pessoas foram presas.

Esquema de descarte ilegal de resíduos

Segundo as investigações, os suspeitos faziam parte de uma estrutura criminosa especializada no descarte irregular de resíduos sólidos em áreas clandestinas.

Durante diligências, os policiais flagraram fluxo frequente de caminhões despejando lixo de forma ilegal, com a abertura de acessos improvisados e avanço sobre áreas de manguezal, consideradas ecossistemas ambientalmente protegidos.

Na região existe um Centro de Tratamento de Resíduos de Jardim Gramacho, porém perícias indicaram que a associação responsável estaria recebendo resíduos fora da área licenciada, além de lixo doméstico, o que não é permitido.

Além desse ponto, os agentes identificaram outras três áreas na mesma região utilizadas para despejo irregular de lixo.

Investigação mapeou rede criminosa

Após meses de investigação, com monitoramento territorial, vigilância velada e análise de imagens, os policiais conseguiram mapear a expansão dos lixões clandestinos e identificar:

  • caminhões utilizados no transporte ilegal
  • proprietários formais dos veículos
  • vínculos empresariais ligados ao esquema
  • pontos estratégicos de descarte de resíduos

De acordo com a DPMA, existe um mercado clandestino de descarte de resíduos, usado por empresas para reduzir custos operacionais ao evitar locais de tratamento licenciados.

Economia ilegal motivava esquema

O local legal mais próximo para descarte de resíduos fica a cerca de 70 quilômetros de distância, o que gera custos operacionais elevados para o transporte.

Segundo as investigações, uma viagem até o destino autorizado poderia custar cerca de R$ 654, considerando combustível e logística.

Já no descarte irregular, os responsáveis cobravam apenas R$ 25 por caminhão, o que demonstraria o incentivo econômico para manter o esquema ilegal.

Suspeita de ligação com facção criminosa

As investigações também apontaram indícios de ligação da organização com a facção criminosa Comando Vermelho.

De acordo com a polícia, integrantes da facção poderiam facilitar o funcionamento dos lixões clandestinos, inclusive mediante cobrança para acesso às áreas de despejo.

Objetivo da operação

A operação desta sexta-feira tem como objetivo desarticular a estrutura criminosa responsável pela expansão dos lixões clandestinos em Jardim Gramacho, além de responsabilizar os envolvidos pelos crimes ambientais.

Segundo a Polícia Civil, a ação também busca proteger o meio ambiente, preservar áreas de manguezal e reduzir os impactos à saúde pública provocados pelo descarte irregular de resíduos.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Reprodução / Bom Dia Rio / TV Globo

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