Papa Leão XIV Clama por Justiça Social e Combate ao Tráfico de Drogas

No Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, instituído há 38 anos pela ONU, o Papa Leão XIV recebeu cerca de 3.500 pessoas no Pátio São Dâmaso, no Vaticano, declarando: “A presença de vocês aqui é um testemunho de liberdade”. A data, celebrada em 26 de junho, enfatiza a urgência de planejar ações de combate à dependência química e ao tráfico de drogas, considerados problemas globais de saúde pública.
Cenário Global e Nacional do Uso de Drogas
Segundo o Relatório Mundial do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgado nesta quarta-feira (25/06), quase 316 milhões de pessoas usaram alguma forma de droga (excluindo álcool e tabaco) em 2023, o que representa 6% da população mundial entre 15 e 65 anos. A cannabis continua sendo a droga mais usada globalmente. No Brasil, a 3ª edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) revelou que o número de pessoas que fizeram uso recente de cocaína e crack permaneceu estável na última década. Apesar disso, o Brasil é a segunda nação no mundo em consumo dessas duas drogas, atrás apenas dos EUA.
Esperança e Combate à Injustiça Segundo o Pontífice
O Ano Santo do Jubileu, lembrou o Papa Leão XIV em seu discurso, traz esperança a todos, especialmente àqueles com “a dignidade tantas vezes diminuída ou negada”. Ele ressaltou a importância de “vencer o mal”, “combater a injustiça” e “encontrar a alegria” juntos.
O Pontífice fez um apelo contundente: “O nosso combate é contra quem faz das drogas e de qualquer outra dependência – pensemos no álcool ou no jogo de azar – seu imenso negócio. Existem enormes concentrações de interesses e organizações criminosas ramificadas que os Estados têm o dever de desmantelar.” Leão XIV criticou a abordagem que, frequentemente, “trava e continua a travar a guerra contra os pobres, enchendo as prisões com aqueles que são apenas o último elo de uma cadeia de morte”, enquanto os verdadeiros responsáveis “conseguem ter influência e impunidade”. Ele defendeu que as cidades devem ser libertadas não dos marginalizados, mas da marginalização; não dos desesperados, mas do desespero.
O Papa concluiu enfatizando que o Jubileu nos indica “a cultura do encontro como caminho para a segurança”, pedindo a “restituição e a redistribuição das riquezas injustamente acumuladas” para a reconciliação. Ele exortou a todos a “multiplicar os lugares de cura, de encontro e de educação: percursos pastorais e políticas sociais que comecem na rua e nunca deem ninguém por perdido”, conclamando os jovens a serem protagonistas da renovação e a mostrar que “é possível mudar”.
Com informações de Vatican News
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: @Vatican Media
