Paralisação de Taxistas Gera Caos em Luanda por Preço de Combustível

A paralisação dos taxistas de Luanda entrou nesta terça-feira (29/07), em seu segundo dia. O primeiro dia do movimento dos taxistas, nessa segunda-feira (29), foi marcado por paralisações massivas, vandalismo, pilhagens e grande tensão social. A manifestação, desencadeada pela recente subida do preço dos combustíveis – agora fixados em 400 kwanzas o gasóleo e 300 kwanzas a gasolina –, causou o colapso do sistema de transporte urbano na capital angolana.
Paragens como Golf 2, Estalagem, Congolenses, FTU e Zango ficaram completamente sem transporte público desde as primeiras horas do dia. Milhares de cidadãos que madrugaram na tentativa de chegar aos seus locais de trabalho foram impedidos de seguir viagem. Muitos tentaram alternativas, como carros particulares, mas acabaram sendo impedidos por populares, que acusavam os motoristas de realizarem transporte clandestino.
“Muitos disparos, não consigo continuar a marcha de regresso para casa, por conta da insegurança que está a acontecer por quase toda a extensão da Avenida Pedro de Castro Van-Dunen Loy”, relatou uma cidadã à reportagem do Polo de Notícias.
Clima de tensão e vandalismo
A Polícia Nacional confirmou a ocorrência de vários episódios de vandalismo em artérias principais da cidade e que utilizou gás lacrimogêneo para dispersar aglomerações, em uma tentativa de evitar protestos de maior dimensão.
De acordo com o Correio da Kianda (publicação local), a zona do Golf 2, especialmente nas imediações do “Quintalão do Petro ao Kimbango”, tornou-se um dos epicentros da desordem. Até ao início da noite de segunda-feira, registaram-se diversos episódios de pilhagem e destruição de bens públicos.
Fontes do local relataram que a situação levou à intervenção da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), que reforçou o contingente de segurança nas zonas mais críticas. Segundo a polícia, pessoas alheias ao protesto têm-se aproveitado da situação para promover atos de criminalidade.
A greve dos taxistas integra-se numa sequência de manifestações organizadas por diferentes movimentos sociais nos últimos dias. Após protestos recentes liderados pelo Movimento Contestatário Angolano e pelo Movimento dos Estudantes Angolanos, agora é a vez da classe dos taxistas unir-se às vozes de descontentamento popular.
Os organizadores anunciaram que o protesto deverá durar três dias, exigindo a revisão da política de preços dos combustíveis, considerada insustentável para a classe trabalhadora.
Enquanto isso, os cidadãos de Luanda continuam a enfrentar incerteza, insegurança e dificuldades de mobilidade, numa cidade parcialmente paralisada por uma crise que vai além do transporte trata-se de um grito de desespero social em resposta à crescente pressão económica
Com informações de António Mbinga Cunga (Correspondente em Angola)
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: António Mbinga Cunga
