PF faz operação contra policiais ligados ao crime organizado no Rio

A Polícia Federal do Brasil deflagrou, nesta quarta-feira (11), a terceira fase da Operação Anomalia, com o objetivo de desarticular um núcleo formado por policiais militares do Rio de Janeiro suspeitos de atuar em benefício de organizações criminosas.
Durante a ação, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e sete mandados de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu e Nilópolis.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal, que também determinou o afastamento imediato das funções públicas dos investigados e autorizou a quebra de sigilo de dados dos equipamentos eletrônicos apreendidos. O cumprimento das medidas contou com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
Policiais suspeitos de atuar para o crime organizado
Segundo a investigação, os policiais militares utilizavam as prerrogativas da farda e da função pública para favorecer atividades do crime organizado.
As apurações apontam que o grupo atuava em uma estrutura que oferecia apoio logístico para tráfico de drogas e milícias, além de atuar na proteção de criminosos e na ocultação de recursos obtidos ilegalmente.
A operação faz parte das investigações conduzidas pela Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para cumprir diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635.
Segurança para lideranças criminosas
De acordo com a Polícia Federal, os policiais investigados teriam atuado diretamente na segurança de lideranças de facções criminosas.
Segundo o delegado federal Samuel Escobar, a operação busca aprofundar as investigações sobre o envolvimento de agentes públicos com organizações criminosas no estado.
Já o delegado Geraldo Almeida afirmou que a participação de agentes públicos é um fator que facilita a entrada de armas e drogas nas comunidades.
“Sabemos que as comunidades não produzem drogas nem fabricam armas. Para que esse material chegue até elas, muitas vezes há participação ou facilitação de agentes públicos”, afirmou.
Sete policiais militares presos
No total, sete policiais militares foram presos durante a operação. Entre eles estão:
- Ênio Claudio Amâncio Duarte – 3º BPM (Méier)
- Leonardo Cavalcanti Marques – 5º BPM (Praça da Harmonia)
- Rodrigo Oliveira de Carvalho – 16º BPM (Olaria)
- Flávio Cosme Menezes Pereira – 18º BPM (Jacarepaguá)
- Ricardo Pereira da Silva – 1ª UPP / 2º BPM Santa Marta
- Alex Pereira do Nascimento – 6ª UPP / 3º BPM São João
- Franklin Ormond de Andrade – 7ª UPP / 3º BPM Jacaré
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.
Outras fases da operação
As fases anteriores da Operação Anomalia já haviam resultado na prisão de outros agentes públicos, incluindo os delegados Fabrizio Romano, da Polícia Federal, e Marcos Henrique Oliveira Alves, da Polícia Civil.
Todo o material apreendido nas buscas será analisado para identificar novos envolvidos no esquema criminoso.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
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