Pitacos de uma repórter – Homenagem a Preta Gil

O câncer é uma merda mesmo! Acabou levando a Preta Gil, que morreu neste domingo, lá nos Estados Unidos, para onde foi a procura da cura, desesperadamente. Mesmo sabendo que já estava desenganada pela medicina convencional e tendo conhecimento de que o caro tratamento experimental que foi tentar lá longe, ainda não tinha certificação científica. E apesar de seu sábio pai, o cantor, compositor, ex-ministro da cultura e imortal da Academia Brasileira de Letra, Gilberto Gil, lhe ter aconselhado, meses atrás, para “se deixar ir” desistindo assim, do exaustivo e doloroso tratamento.
Embora esse conselho de um pai para uma filha com doença terminal, tenha causado uma estranheza geral, eu pude constatar, mais uma vez, a grandeza espiritual e a firmeza no entendimento da morte que Gilberto Gil tem e nos ensina. Eu já havia presenciado uma manifestação deste comportamento peculiar do artista baiano quando, em 1990, cobri como repórter da revista Contigo, o velório e sepultamento de seu filho Pedro.
O jovem morrera, aos 19 anos, de um grave acidente de carro. Durante o velório no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio de Janeiro, uma equipe do IML (Instituto de Medicina Legal) praticamente invadiu a capela mortuária onde Gil e outros familiares, sofriam silenciosos pela grande perda. Do lado de fora, nós jornalistas de todo canto, que espreitávamos qualquer movimentação diferente, nos revoltamos com a chegada da turma do IML, especialmente ao constatarmos que o corpo do jovem iria ser periciado ali mesmo. Houve até um pequeno tumulto quando tentamos argumentar para impedir o que consideramos uma violência.
Foi o próprio Gil que, com sua tranquila sabedoria, chegou à porta da capela mortuária e fez um pequeno discurso nos tranquilizando que ele, mesmo sofrendo, entendia que dadas as circunstâncias da morte do filho, aquele procedimento do pessoal do IML, era legítimo. Embora muitos – famosos ou não – prefiram silenciar, ao máximo possível, suas condições de doentes graves – Preta Gil, por vontade própria, como explicou certa vez, em respeito ao seu público e para evitar informações falsas, divulgava passo a passo sua luta pela sobrevivência.
O que mais me dá pena no caso da Preta, artista múltipla e ser humano transparente, em tudo que foi e representou, é que ela não queria morrer. Lutou muito, até a morte, para não morrer e ainda assim, morreu. Porquê da morte, sabemos, ninguém escapa. Ainda quem que, como a valente Preta, se negue a aceitá-la e faz de tudo para evitar esse “encontro” definitivo.
Preta se foi aos 50 anos. Embora essa corajosa e multitalentosa carioca com jeito de baiana, tenha morrido cedo para os padrões atuais, ela deixou muita coisa boa que fez e realizou neste planeta Terra. Como o “Bloco da Preta”, trio elétrico que, desde 2007, arrasta multidões durante o carnaval carioca. Além das músicas que gravou, dos shows que fez Brasil afora, ela também trabalhou como atriz algumas vezes e até escreveu um livro. Preta deixa um filho, Francisco e uma neta. Além de uma família grandiosa, dezenas de amigos de todas as vertentes artísticas lamentam sua morte nas redes sociais. Fãs e seguidores, então, aos milhares, vêm manifestando tristeza pela perda. Por aqui, oramos para que Preta Gil, mulher de uma forte FÉ ecumênica, esteja agora, espalhando sua arte céus afora e já desfrutando da Luz e da Paz eternas.
Com informações de Luzia Salles
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Divulgação
