Pitacos de uma repórter: um casamento na eternidade

A foto que ilustra esse PITACOS foi clicada há exatos 80 anos. Ela registra o casamento de meus pais, Alisandro Felipe de Salles e Maria Elisa Gonze de Salles. Ele, moço da cidade, muito bem apeçoado aos seus 31 anos, e ela, uma linda e vaidosa jovem da roça, de 22 anos. Meu pai, então, trabalhava como tintureiro e reformador de chapéus (ainda conservamos seu cartão de visitas/profissional em papel de linho), enquanto minha mãe era auxiliar da professora na escolinha da fazenda que seu pai comandava como capataz.
A cerimônia religiosa foi realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no tradicional Largo do Rosário em Mar de Espanha, simpática cidade da Zona da Mata mineira, de onde somos. A festança foi na casa grande e antiga, bem atrás da Igreja, onde meu pai vivia com meus avós árabes e um monte de irmãos e irmãs.
Meu avô materno, que veio bebezinho da Itália e se casou com uma filha de índios puris (tribo mineira), contribuiu muito para os rega-bofes com suprimentos da fazenda que ele “tocava” e trabalhava como meeiro. Uma curiosidade é que meus pais, já antenados com noticiários do mundo inteiro, esperaram a Segunda Guerra acabar (o que aconteceu em maio) para se casarem em julho de 1945, depois de cinco anos entre namoro e noivado.
Esse matrimônio, que neste plano terrestre durou até 1964, com a morte de meu pai aos 51 anos (minha mãe se foi em 2020, aos 96) segue agora na eternidade. Por lá também já estão seus filhos Ana Lúcia, Júlio e Rogério. Por aqui, a Léia, a Rosa e eu continuamos vivendo cheias de saudosas e com nossas eternas e doces lembranças.
Luzia Salles
