Preso Miliciano “Homem de Guerra” em Magalhães Bastos (Zona Oeste Rio)

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis da Capital (DRFA-CAP), prendeu nesta segunda-feira (08/12) um miliciano que integra um grupo criminoso violento na Zona Oeste do Rio. O criminoso foi capturado em Magalhães Bastos, na mesma região, após intensas diligências e monitoramento policial.

As investigações apontam que o preso atuava como “homem de guerra”, sendo o responsável pela execução de ações armadas para o grupo miliciano que domina comunidades como Campinho, Bateau Mouche e Fubá, e que busca expandir seu território por meio da violência.

Histórico Criminal Extenso

O criminoso possui um extenso histórico criminal, com diversas anotações por roubos de veículos, latrocínio, homicídio e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.

O mandado de prisão condenatória cumprido é decorrente de uma ação criminosa em 2017, quando o miliciano teve papel central na invasão da comunidade da Chacrinha, em Jacarepaguá. Na época, o objetivo do ataque armado era expulsar um grupo criminoso rival que dominava a localidade.

O criminoso foi encontrado escondido em um endereço no bairro de Magalhães Bastos e responderá pelo crime de organização criminosa.

As comunidades do Campinho e do Fubá, localizadas em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, são historicamente conhecidas por estarem sob o domínio e disputa de grupos de milícia.

1. Histórico de Dominação e Disputa

  • Domínio Histórico da Milícia: Campinho e Fubá, assim como comunidades vizinhas (como a Gardênia Azul e o Complexo de Jacarepaguá), foram consolidadas como territórios de atuação de grupos milicianos há muitos anos.
  • A Milícia “Liga da Justiça”: Historicamente, essas áreas estiveram ligadas a uma das maiores e mais antigas milícias do Rio, conhecida como “Liga da Justiça” (ou grupos remanescentes dela), que exerce controle territorial e econômico.
  • Disputa Territorial: Embora a milícia seja a força dominante, ocasionalmente essas comunidades se tornam palco de violentas disputas territoriais com facções rivais do tráfico de drogas (como o Comando Vermelho – CV) ou, mais recentemente, com outros grupos milicianos. A entrada e saída de grupos rivais intensifica a violência para os moradores.

2. Principais Fontes de Renda e Extorsão

A atuação da milícia nessas comunidades se baseia principalmente na extorsão de moradores e comerciantes através da cobrança de “taxas” ilegais por serviços e segurança. Os principais esquemas incluem:

  • Gatonet/Internet e TV a Cabo Ilegal: Monopólio e cobrança pelo serviço clandestino de telecomunicações.
  • Taxa de Segurança: Cobrança mensal compulsória de comerciantes e moradores sob a ameaça de violência.
  • Transporte Ilegal: Controle de linhas de vans e mototáxis na região, forçando motoristas a pagar diárias ou taxas.
  • Gás e Água: Monopólio da venda de botijões de gás e, em alguns casos, controle da distribuição de água (o chamado “gato” de água), com cobrança de preços abusivos.
  • Loteamento e Construção: Controle da construção civil, exigindo propina para autorizar obras ou para vender lotes ilegais.

3. Impacto na Vida dos Moradores

O domínio miliciano impõe um rigoroso controle social e uma atmosfera de medo:

  • Lei do Silêncio: Os milicianos impõem regras de conduta, toque de recolher e proíbem que moradores denunciem as atividades criminosas às autoridades, sob pena de represálias violentas.
  • Violência e Coerção: A violência não é apenas usada para coagir, mas também como demonstração de poder para manter a disciplina e intimidar grupos rivais.

A prisão do “homem de guerra” faz parte dos esforços da polícia para desarticular esses grupos, reconhecendo que a milícia da Zona Oeste busca ativamente expandir sua atuação em comunidades como Campinho, Bateau Mouche e Fubá.

Com informações de assessoria

Wagner Sales – editor de conteúdo

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