Em 21 de março, celebramos o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, uma data que nos convoca a refletir sobre as lutas, as conquistas e, acima de tudo, as ausências. É um dia que deveria ser de celebração, mas muitas vezes se torna um lembrete doloroso de que, apesar dos avanços, o racismo continua sendo uma chaga aberta em nossa sociedade. “Que dia o racismo acabou?” A resposta, infelizmente, é que não há um dia marcado no calendário em que essa luta se encerrou.
O racismo é uma construção histórica, enraizada em séculos de opressão e desigualdade. As vozes que clamam por justiça e igualdade ainda vivenciamos nas ruas, nas universidades, nas fábricas e, principalmente, nas bases do poder, onde a presença negra é escassa e a representação é uma luta constante. Onde está o negro nas bases do poder? Essa é uma questão que nos interpela todos os dias.
Em um país onde a população negra é majoritária, é alarmante observar que essa realidade não se reflete nas esferas de decisão. A política, a economia e muitos outros campos continuam sendo dominados por rostos que não representam a diversidade da nossa sociedade. A falta de representação é um dos maiores obstáculos na luta contra o racismo; sem vozes negras nas mesas de poder, as políticas públicas tendem a ignorar as necessidades e as realidades da população negra.
Neste dia de reflexão, é essencial lembrar que a luta pela eliminação da discriminação racial não deve se limitar a um único dia no calendário. Ela precisa ser uma prática diária, uma consciência coletiva que nos motiva a questionar, a agir e a mudar. Precisamos educar nossas crianças sobre a importância da diversidade, empoderar os jovens a ocuparem espaços e criar um ambiente onde todos possam se sentir pertencentes.
A luta contra o racismo é de todos nós. Não se trata apenas de uma questão racial, mas de uma questão de direitos humanos. Que possamos, a partir de 21 de março, renovar nosso compromisso com a igualdade, com a justiça e com a inclusão. Que possamos nos perguntar não apenas “Que dia o racismo acabou?”, mas “Que dia vamos lutar juntos para que ele nunca mais exista? “Que as vozes que clamam por justiça sejam ouvidas, e que a presença negra nas bases do poder se torne uma realidade. A luta continua, e cada um de nós tem um papel a desempenhar.
Denilson Costa