Rádio Despertar: Escândalo de 14 Milhões e Críticas à Gestão Horácio dos Reis

O nome de Crisóstomo Tchipiaka, mais conhecido como Horácio dos Reis, voltou a ganhar destaque — e não pelos melhores motivos. A sua gestão à frente da Rádio Despertar, já considerada por muitos militantes e quadros da UNITA como “a mais turbulenta de sempre”, foi severamente criticada durante as comissões do XIV Congresso Ordinário, que reconduziu Adalberto Costa Júnior na liderança do partido.

Desde a chegada do actual gestor, a estação de referência do “Galo Negro” transformou-se num cenário de expulsões em série, clima de intimidação e um rasto de profissionais experientes deixados para trás: Pedro Kafiele, Queirós Chuluvia, Gonçalves Vieira, Horíbio Fernando, entre outros. Todos desligados sem indemnização completa, sem segurança social e sem qualquer plano de reintegração.

Paradoxalmente, apesar do caos interno, a direcção de Tchipiaka vangloria-se de ter eliminado os atrasos salariais e melhorado alguns equipamentos técnicos. Mas, segundo fontes internas, o preço pago por essa “estabilidade artificial” foi o sangramento humano da redacção.

Os 14 milhões: o dinheiro que “mudou de caminho”

É no capítulo da indenização que o escândalo ganha corpo.

Após despedir mais de 15 trabalhadores, Tchipiaka alegou “excesso de pessoal” e avançou com cortes secos. Uma fonte ligada ao partido revelou que a UNITA disponibilizou 14 milhões de Kwanzas exclusivamente para o pagamento das indenizações.

Mas, segundo fontes partidárias e elementos da Academia Politécnica, o dinheiro não chegou ao destino. Os profissionais continuam sem receber a totalidade do que lhes é devido — e alguns não viram sequer um kwanza.

A jornalista Vitória Sakutala, que deveria receber 300 mil kwanzas, continua à espera.

René Júnior, indenizado inicialmente em 750 mil kwanzas, recebeu apenas 350 mil porque, segundo a Direcção, “já não havia dinheiro”.

A lista de lesados é extensa: Arlindo Kanoela, Vitória Sakutala, René Júnior, Hugo Mix, Clementina Bande, Amélia de Fátima, Manel António, DJ LM, Francisco Chico, Sebastião Numa e Palmira Vilar — todos aguardam, até hoje, o desfecho de um processo que já tinha fundos garantidos.

As denúncias sobre má gestão acumularam-se de tal forma que, segundo fontes partidárias, a substituição de Horácio dos Reis deixou de ser um rumor e passou a ser uma necessidade interna.

No seio do Galo Negro, muitos afirmam que o director da Despertar se tornou um “problema político” e um risco reputacional para a rádio e para o partido.

Enquanto isso, a Rádio Despertar — símbolo histórico de resistência e voz crítica — vive hoje marcada pela opacidade, silenciamento de profissionais e um escândalo financeiro que ameaça derrubar a sua chefia.

Os trabalhadores despedidos continuam sem indemnização, sem protecção social e sem explicações credíveis.

Com informações de Matias Venâncio (correspondente em Angola)

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Divulgação

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