Rio apresenta ao STF plano para retomar áreas do crime organizado

O Governo do Rio de Janeiro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (22), o Plano Estratégico de Reocupação Territorial. A iniciativa responde às exigências da ADPF 635 e visa desarticular o controle de facções e milícias em comunidades fluminenses, integrando segurança pública com serviços sociais e infraestrutura.
O projeto-piloto terá início após o Carnaval de 2026, focando inicialmente na Zona Sudoeste da capital, em comunidades como Rio das Pedras, Muzema e Gardênia Azul — áreas marcadas por disputas entre milicianos e o Comando Vermelho.
As 5 Fases do Plano de Reocupação
O documento de 300 páginas detalha uma estratégia dividida em cinco eixos fundamentais para garantir a permanência do Estado:
- Segurança e Justiça: Mapeamento e intervenção direta com presença ostensiva das polícias (e possivelmente Forças Federais), além do combate a lavagem de dinheiro em serviços de gás, gelo e internet.
- Desenvolvimento Social: Mutirões de assistência, reforma de escolas e cursos profissionalizantes.
- Desenvolvimento Urbano: Obras de saneamento, iluminação pública, limpeza e regularização fundiária.
- Desenvolvimento Econômico: Estímulo a microempresas, cooperativas locais e turismo comunitário.
- Sustentabilidade e Transparência: Criação de uma plataforma digital para monitoramento de indicadores e participação da sociedade civil.
Inspiração em Medellín e Diferença das UPPs
Diferente das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que focavam majoritariamente no policiamento, o novo plano busca inspiração no modelo de Medellín (Colômbia). O foco é a continuidade das políticas públicas para que o Estado não apenas entre, mas permaneça no território.
“O foco é a permanência e a transformação da realidade local por meio da integração entre segurança e serviços sociais”, afirmou o governador Cláudio Castro.
Diagnóstico do Controle Territorial
O relatório aponta um dado alarmante: entre 2007 e 2024, a influência de grupos armados expandiu-se a ponto de um terço da população do estado estar submetida a alguma forma de controle criminal (extorsões, ameaças ou domínio de serviços). O novo plano promete substituir a “economia do crime” por um ecossistema lícito e oportunidades de emprego.
Com informações de Agência Brasil
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Divulgação
