Semba, Samba, Kizomba, no balanço do Ziriquidum

Historicamente, o semba surgiu como uma forma de expressão cultural no início do século XX, influenciada por várias tradições africanas, como a música e a dança dos povos bantu. Durante a colonização portuguesa, o semba começou a integrar elementos de estilos musicais europeus, como o fado e a música de dança popular. 

A dança do semba é marcada pela interação entre os dançarinos, muitas vezes envolvendo improvisação e uma forte conexão com o ritmo da música, que é geralmente acompanhada por instrumentos como o violão, tambores e marimbas. No contexto social e político de Angola, o semba também se tornou uma forma de resistência e protesto, refletindo os anseios e a identidade do povo angolano. Nas décadas de 1960 e 1970, o semba teve um renascimento significativo, à medida que se tornava parte importante do movimento de independência de Angola. 

Após a independência em 1975, o semba evoluiu e se difundiu não só em Angola, mas em outros países da África e na diáspora, influenciando o desenvolvimento de outros estilos musicais, como a kizomba. Hoje, o semba é celebrado como uma parte vital da cultura angolana e continua a ser uma forma de expressão artística, refletindo a história, a resistência e a rica herança cultural do povo angolano. Já o samba tem origem afro-brasileira e surgiu da mistura de ritmos africanos no século XIX, na Bahia, como parte da cultura popular dos descendentes de pessoas escravizadas. 

O gênero se consolidou e popularizou no Rio de Janeiro no início do século XX, tornando-se um dos maiores símbolos da identidade nacional brasileira. Origens e Desenvolvimento Bahia (Século XIX): o samba de roda, que misturava elementos da cultura africana e portuguesa, nasceu nas festas de terreiro do Recôncavo Baiano, com o objetivo de preservar o legado cultural do povo negro. Rio de Janeiro (início do século XX): com a migração de muitos baianos para a então capital do Brasil, o samba encontrou um novo terreno fértil. 

As casas das “tias baianas”, como a famosa Tia Ciata, na região da Praça Onze e Cidade Nova, tornaram-se redutos importantes onde músicos e compositores se reuniam para tocar e dançar, longe da repressão policial que sofriam por praticarem manifestações culturais negras. Foi em uma dessas rodas na casa de Tia Ciata que surgiu “Pelo Telefone”, considerado o primeiro samba a ser registrado na Biblioteca Nacional em 27 de novembro de 1916, em nome de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga. 

Popularização e EvoluçãoDa marginalidade à aceitação inicialmente vista com preconceito e associada a pessoas desocupadas, o samba passou por um processo de aceitação e, eventualmente, de apropriação como símbolo nacional, especialmente durante o governo de Getúlio Vargas.Na década de 1920, surgiram os primeiros blocos e, posteriormente, as escolas de samba, como a “Deixa Falar”, considerada por muitos a primeira do tipo, que estabeleceram a estrutura rítmica e a formação de bateria que conhecemos hoje. Ao longo das décadas, o samba se diversificou em inúmeros subgêneros, como o samba-canção, samba-enredo, pagode, samba de breque, bossa nova e samba-reggae, cada um com suas características e instrumentação próprias. O samba é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, uma prova da sua importância histórica e social.

Denilson Costa

Arte “Roda de Samba” Carybé

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