Somos todos Macumbeiros

A tradição de usar branco no Ano Novo é um ritual que, para muitos, vai além do que parece ser apenas uma escolha de vestuário. Ao vestir essa cor, as pessoas buscam simbolizar a paz, a pureza e a esperança de um recomeço no próximo ano. É uma forma de deixar para trás o que não foi bom e abrir espaço para novas energias.As praias, nas festas e comemorações, se transformam em um mar de blusas brancas; todos se reúnem para a contagem regressiva e, em meio à euforia, os fogos de artifício iluminam o céu. A cor branca é um símbolo que une; diferentes culturas e crenças se entrelaçam em uma celebração coletiva. Interessante sobre a dualidade dos costumes e crenças, especialmente durante o fim de ano. O que se vê é uma penetração de tradições e rituais que, muitas vezes, são ignorados durante o restante do ano. As pessoas se tornam “macumbeiros”, entregando-se a superstições como pular ondas e comer lentilhas em busca de boas vibrações e prosperidade.
Entretanto, essa prática é paradoxal, pois, ao mesmo tempo em que se busca a sorte e a renovação, existe uma crítica implícita às crenças e práticas que, quando não alinhadas com uma visão moralista, podem ser vistas como pecaminosas. É um contraste que reflete uma sociedade que oscila entre a busca espiritual e a crítica moral.
A menção à Lei 10.639/23 é pertinente, pois essa lei destaca a importância de se respeitar e valorizar as culturas afro-brasileiras, trazendo à tona questões de preconceito e discriminação que ainda existem. Ela reforça a necessidade de reconhecimento e respeito pela diversidade cultural, evitando o uso de termos moralistas que podem estigmatizar práticas e crenças de certos grupos.O fim de ano pode ser, então, visto como uma oportunidade não apenas para renovação pessoal, mas também para uma reflexão mais profunda sobre a aceitação cultural e a desconstrução de preconceitos. Um momento de celebração, respeito e aprendizado.
Denilson Costa
