STF conclui sustentações de defesa no caso do golpe militar

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu, nesta quarta-feira (12), as sustentações orais das defesas dos réus na Ação Penal (AP) 2696, que trata do chamado Núcleo 3 da tentativa de golpe de Estado. O grupo é composto por nove militares de alta patente e um agente da Polícia Federal. O julgamento será retomado na próxima terça-feira (18), às 9h, com o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.
Na sessão de hoje, os advogados apresentaram as defesas dos quatro últimos réus: Rodrigo Bezerra de Azevedo, Ronald Ferreira de Araújo Jr., Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros e Wladimir Matos Soares. As sustentações começaram na terça-feira (11), com as defesas dos outros seis acusados.
Defesa de Rodrigo Bezerra de Azevedo
O advogado Jeffrey Chiquini da Costa afirmou que o tenente-coronel é inocente das acusações de liderança em ações clandestinas para monitorar e “neutralizar” autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A defesa alegou falta de acesso integral aos autos e inconsistências em documentos, questionando a validade das provas.
Chiquini destacou que Azevedo não participou do planejamento ou execução do crime e apresentou comprovações de que o réu estava em Portugal e em Goiânia nas datas investigadas. Também exibiu vídeo do delator Mauro Cid, no qual ele afirma que o tenente-coronel não participou das reuniões sob investigação.
Defesa de Ronald Ferreira de Araújo Jr.
O advogado João Carlos Dalmagro Júnior pediu que o STF aceite a tese da Procuradoria-Geral da República (PGR) e desclassifique o crime de incitação das Forças Armadas contra os Poderes. Solicitou ainda o encaminhamento à Justiça Penal Negocial, que permitiria um acordo e evitaria condenação.
Já o advogado Lissandro Sampaio reforçou que Ronald Ferreira não participou da reunião de 28 de novembro de 2022, onde teriam sido discutidas ações do grupo conhecido como “kids pretos”, nem da carta de pressão ao comando do Exército. A defesa admitiu trocas de mensagens sobre o documento, mas sustentou que o réu apenas demonstrou preocupação com a imagem das Forças Armadas.
Defesa de Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros
O advogado Igor Laboissieri Vasconcelos Lima pediu a absolvição ou desclassificação dos crimes imputados a Cavaliere, ressaltando que ele atua em área administrativa e não pertence às Forças Especiais do Exército. A defesa afirmou que o réu não participou da reunião em Brasília, estando em Resende (RJ) no dia 28 de novembro de 2022, e que não assinou nem apoiou a carta enviada ao Alto Comando.
Defesa de Wladimir Matos Soares
O advogado Sérgio Willian Lima dos Anjos afirmou que o agente da Polícia Federal não tem vínculo com os militares investigados e não participou de reuniões do grupo. A defesa negou que Wladimir tenha se infiltrado em hotel de Brasília para monitorar autoridades, apresentando depoimento do chefe de segurança que confirma sua atuação oficial e regular.
Segundo o advogado, Wladimir atuou em missão formal entre 28/12/2022 e 05/01/2023, e no dia 8 de janeiro de 2023 já estava de férias em Salvador (BA), comprovado por registros de compras em shopping da cidade.
Com informações de assessoria
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Rosinei Coutinho / STF
