Transtorno Opositivo Desafiador

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Não sei por que, sempre gostei de contrariar. Quando menina, fazia de tudo para desagradar meus pais, tudo o que falavam, mesmo sabendo que era para o meu bem, fazia questão de desafiá-los. Aliás, confesso que, apesar de ser a mais inteligente dos meus irmãos, fiz questão de parar de estudar, não completei nem o Fundamental.

Como eu era bonitinha, uma princesa. Tinha um rapaz aqui na vizinhança, que não era feio, muito estudioso e com um futuro promissor que gostava de mim. Cheguei a dar uns beijinhos nele, mas tinha um grande problema: meus pais o adoravam, perdi totalmente o encanto por ele.

Entretanto, aquele que seria meu futuro marido, ficava o dia inteiro jogando baralho na esquina. Foi dele que eu gostei. Engravidei de propósito. No dia do meu casamento, meu pai me chamou para conversar, pedindo para que eu desistisse do casamento, que ele ajudaria a criar meu filhos, se eu não me casasse e voltasse a estudar. Mesmo sabendo que estava fazendo uma grande bobagem, casei-me.

Moro em um quarto e sala abafado, nos fundos do quintal da minha sogra, sou infeliz, pois meu marido é agressivo, bebe excessivamente, é jogador compulsivo e deixa faltar as coisas em casa. Se não fosse minha sogra, eu e meus filhos morríamos de fome. É uma megera, mas me ajuda.

Dizem que eu tenho um problema chamado Transtorno Opositivo Desafiador. Acho que é este o nome. Já tenho três filhos. Meus pais me aconselharam a fazer uma laqueadura, não ter mais filhos. Fiquei com raiva: estou grávida novamente.

Adquiram meu livro UMA JANELA PARA EUCLIDES

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