Naypyidaw (MMR) – A vice representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, em Mianmar, afirmou que comunidades inteiras no país foram devastadas pelo terremoto da semana passada.
O número de mortos pelo sismo, de 7.7 na escala Richter, que ocorreu na hora do almoço, horário local, na sexta-feira, subiu para cerca de 2 mil pessoas, segundo a junta militar que controla Mianmar.
O Unicef informa que a janela para salvar vidas está se fechando e os birmaneses, em todas as áreas afetadas, estão enfrentando uma falta aguda de água potável, alimentos e medicamentos.
Crianças em choque
Julia Rees contou que encontrou crianças em choque após ver suas casas caírem e sendo destruídas ou membros da família perdendo a vida para o tremor. Muitos menores estão separados dos parentes e outros seguem desaparecidos.
Equipe de trabalhadores humanitários da ONU estão no terreno desde a tragédia para apoiar as vítimas. Muitas não têm energia elétrica e estão com medo de entrar em suas próprias casas e enfrentar novos tremores.
Três dias após o sismo cujo epicentro foi perto das regiões de Mandalay e Sagaing, assim como a capital birmanesa, Naypyidaw, e o sul do estado de Shan, os birmaneses seguem vivenciando novos choques no centro de Mianmar.
O Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária, Ocha, disse que a busca local e equipes de resgate, apoiados por unidades internacionais, aumentaram suas ações especialmente no centro de Mianmar.
Dentre os países que estão apoiando a defesa civil estão China, Índia, Rússia, Tailândia e Bangladesh.
Um representante do Ocha no terreno, Marcoluigi Corsi, que visitou a capital birmanesa, disse que as condições estão se deteriorando nas áreas afetadas, sem energia e água, muitos estão tendo que enfrentar o calor, com hospitais sobrecarregados.
Integrantes da equipe da Organização Mundial da Saúde, OMS, contaram que os suprimentos médicos estão acabando e que em muitos casos, os geradores de energia pararam de funcionar, por falta de combustível.
Doenças infecciosas
A agência da ONU teme o aumento de surtos de doenças infecciosas. Há vários meses, muitas cidades de Mandalay sofreram um surto de cólera. Somente em fevereiro, houve 800 casos de doenças transmitidas por água contaminada incluindo dengue, hepatite, malária e outras.
A situação de saúde não é a única crise enfrentada por Mianmar, segundo o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados, Acnur.
Babar Baloch disse que o país está se recuperando de quatro anos de conflito desde o golpe militar de 2021. Nos últimos anos, Mianmar passou por um ciclone e enchentes massivas.
Para muitos trabalhadores humanitários, o que ocorre agora é uma “dupla tragédia”. Mesmo antes de o terremoto atingir Mianmar, as áreas afetadas já tinham 1,6 milhão de pessoas deslocadas com 20 milhões de pessoas precisando de ajuda humanitária no país. Mas apenas 5% de um apelo humanitário de US$ 1,1 bilhão, feito pela ONU, arrecadado até agora foi entregue ao país.
Com informações de ONU News
Wagner Sales – Editor de conteúdo