UNITA: ACJ acende pavio da discórdia antes do XIV Congresso

Às vésperas do XIV Congresso Ordinário da UNITA, Adalberto Costa Júnior acendeu o pavio da discórdia interna ao convocar, para o próprio dia de abertura do conclave, uma reunião da Comissão Política no Complexo Sovsmo, em Viana. A reunião, oficialmente destinada ao preenchimento de vagas, análise de relatórios e aprovação de teses, caiu como um seguro amargo entre vários dirigentes.

Dentro do partido, multiplicam-se vozes que veem na manobra um gesto pouco inocente. Críticos questionam se um presidente em fim de mandato — e candidato à própria sucessão — pode assumir a condução de uma reunião que moldará documentos decisivos para o Congresso. Apontam, ainda, que a convocatória deveria ser prerrogativa do presidente do Congresso, Álvaro Tchicuamanga, ou da presidente interina, Arlete Chimbinda.

A iniciativa é interpretada por algumas correntes como um movimento calculado para reforçar controlo e influenciar o ambiente congressual. Outras, mais contundentes, classificam-na como uma jogada capaz de comprometer a transparência do processo e alimentar suspeitas sobre imparcialidade da liderança cessante.

Enquanto o Secretariado da Comissão Política mantém silêncio absoluto, a temperatura interna sobe. A UNITA entra no Congresso sob um clima denso, onde cada gesto pesa — e onde a disputa pela liderança parece ter começado muito antes de os delegados tomarem assento.

Com informações de Matias Venâncio (correspondente em Angola)

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: 

WhatsApp