Venda de destilados despenca nos bares do Rio de Janeiro devido ao medo do metanol

O receio de metanol mexeu com o consumo nos bares cariocas. Mesmo sem registros de intoxicação na cidade, as notícias de mortes em São Paulo (seis) e Pernambuco (duas) por bebidas adulteradas fizeram o público recuar nos destilados — e migrar para cervejas e opções não alcoólicas.
Segundo o Sindicato de Bares e Restaurantes (SindRio), a queda na venda de coquetéis e afins bateu 60%. “O impacto nos estabelecimentos varia de acordo com o peso da comercialização de bebidas em cada bar ou restaurante específico”, afirmou Fernando Blower, presidente do SindRio.
No Vian, bar premiado de coquetelaria, a crise derrubou os drinques, apesar do trabalho com rótulos legalizados e de fornecedores autorizados. Para reagir, a casa lança em 14 de novembro uma carta de cervejas em parceria com a Heineken, além de uma linha de coquetéis feitos com a bebida fermentada.
Endereços com foco em chope e malte sentiram menos. O Brewteco registrou alta nas cervejas: +6% em outubro sobre setembro. Vinhos e bebidas sem álcool cresceram 5%. Já os drinques caíram 11,8%. Na loja do terraço do Botafogo Praia Shopping, o movimento seguiu a tendência.
Na rede Gurumê, que investe nas cartas de drinques, a unidade de Icaraí viu os números minguarem: de 454 drinques na última semana de setembro para 247 entre 5 e 11 de outubro. As caipirinhas passaram de 31 para 16 pedidos no mesmo período.
Eventos também sentiram o baque. A festa Puro Suco, no Centro, viu a venda de caipirinhas despencar de 478 (20/9) para 46 (4/10). Em sentido oposto, a Mate Shine informou aumento de 30% na versão em lata (rum, limão e chá-mate).
No Jurubeba, em Botafogo, o chope dobrou de saída. Os drinques com destilados caíram 50%, segundo o chef Elia Schramm, o que puxou para baixo o ticket médio da casa.
O pano de fundo continua a mesma preocupação: metanol. Entre donos de bar, a ordem é reforçar comunicação sobre procedência e compliance dos rótulos, enquanto o público se refugia no chope, na cerveja e nas bebidas sem álcool — até a maré dos destilados acalmar.
