Vozes do Silêncio: GRES Unidos da Inclusão estreia na Sapucaí sem som da avenida para os intérpretes do samba enred

A Unidos da Inclusão fez história na Marquês de Sapucaí na última sexta-feira, dia 13 de fevereiro , ao abrir os desfiles da Série Ouro. Criada em setembro de 2025, a agremiação levou para a avenida o compromisso de mostrar que o Carnaval é um espaço de direito para todos. No entanto, a estreia foi marcada por um grave incidente técnico: a ausência de ‘carro de som’, o que deixou a escola sem o direito de ter seu samba interpretado na avenida.
A vice-presidente da escola, Vera Cruz, classificou o episódio como uma “falta de respeito terrível, um contratempo frustrante” . Segundo a dirigente, a organização não providenciou a estrutura necessária do som para a Unidos da Inclusão, mesmo ciente de que a escola contaria com bateria e intérpretes de samba.
Apesar do contratempo, a alegria dos componentes não se apagou. Para compensar a falta do sistema de áudio, a escola contou com o apoio do público e dos próprios integrantes, que utilizaram palmas para manter a pulsação do desfile. Além disso, em uma ação conjunta com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), a letra do samba foi traduzida em tempo real para Libras, reforçando o propósito inclusivo da entidade.
A sustentação rítmica sem o apoio vocal necessário , ficou inteiramente sob a responsabilidade da bateria, comandada pelos mestres Dudu e Luquinha da Mangueira.

Apesar do contratempo, esse primeiro desfile foi o ponto de partida, mas a efetiva inclusão no Carnaval ainda tem um longo caminho pela frente.
