Galípolo nega atuação no caso Banco Master em CPI

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8), em depoimento à CPI do Crime Organizado, que não atuou pessoalmente no caso do Banco Master junto ao Supremo Tribunal Federal nem ao Palácio do Planalto. Ele também declarou que não havia base técnica para suspender as atividades da instituição antes do fim de 2025.

Durante a oitiva, Galípolo confirmou ter participado de uma reunião no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-controlador do banco, Daniel Vorcaro, e ministros. Segundo ele, sua atuação foi limitada a encaminhar o caso para análise técnica dentro do Banco Central.

De acordo com Galípolo, a orientação recebida foi atuar com base em critérios técnicos, sem favorecer ou prejudicar qualquer instituição. Ele também minimizou a relevância sistêmica do banco, destacando que o Master representava cerca de 0,5% dos ativos do sistema financeiro nacional.

Questionado pelo senador Alessandro Vieira sobre eventuais contatos com ministros do STF, o presidente do BC negou ter tratado do tema com integrantes da Corte. Ele reconheceu reuniões presenciais com o ministro Alexandre de Moraes, mas afirmou que os encontros trataram de outros assuntos institucionais, como desdobramentos da Lei Magnitsky.

O presidente da CPI, Fabiano Contarato, questionou o motivo da liquidação do Banco Master ter ocorrido apenas em novembro de 2025. Galípolo respondeu que uma intervenção antecipada poderia reforçar a narrativa de perseguição e que todos os procedimentos técnicos e investigativos precisaram ser cumpridos antes da decisão.

Segundo ele, ainda não há conclusão do Tribunal de Contas da União sobre eventual atraso na liquidação da instituição.

O depoimento também trouxe uma linha do tempo das ações do Banco Central. Entre elas estão auditorias iniciadas ainda na gestão de Roberto Campos Neto, assinatura de termo de ajuste em 2024, sanções por descumprimento de exigências legais em 2025 e tentativas de mercado para salvar o banco, como uma possível aquisição pelo Banco de Brasília, que acabou barrada.

A liquidação do Banco Master foi efetivada em 18 de novembro de 2025. Posteriormente, em janeiro de 2026, o Banco Central abriu investigação interna que resultou no afastamento de dois servidores por suspeita de irregularidades.

Galípolo também apontou que as primeiras suspeitas sobre o banco surgiram a partir de operações consideradas atípicas, como a compra de ativos para revenda com valores elevados, estratégia utilizada para gerar liquidez.

A CPI do Crime Organizado tem previsão de encerrar seus trabalhos até o dia 14 de abril, conforme informado pelo relator.

Com informações de Ag. Senado

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Saulo Cruz/Ag. Senado

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