Tribunal trava cobrança de €17 milhões a Isabel dos Santos por falta de bens

O Tribunal da Relação de Lisboa emitiu um acórdão que representa mais um duro revés para as maiores instituições financeiras de Portugal. Os juízes reconheceram que o Banco Comercial Português (BCP) e o Novo Banco esgotaram todos os meios judiciais disponíveis, mas confirmaram a impossibilidade de cobrar uma dívida atualizada em cerca de 17,4 milhões de euros de Isabel dos Santos, devido à total ausência de patrimônio conhecido ou bens penhoráveis em nome da empresária em território português.

O litígio milionário é herança direta de 2015, quando a filha do ex-presidente angolano recorreu à holding Winterfell Industries e a empréstimos bancários para comprar mais de metade do capital da Efacec, gigante dos setores de energia e engenharia. Embora a Efacec tenha sido nacionalizada pelo governo português após o escândalo do Luanda Leaks (e posteriormente reprivatizada), o passivo financeiro da holding e as livranças de garantia pessoal assinadas por Isabel nunca foram pagos.

Blindagem societária impede recuperação do dinheiro

Na tentativa de reaver o crédito de 16,3 milhões de euros (que passa dos 17 milhões com a soma dos juros), os bancos avançaram com uma ação judicial extraordinária para responsabilizar diretamente outras empresas ligadas à empresária, como a Santoro Finance e a Finisantoro, ultrapassando a barreira da autonomia jurídica.

No entanto, a Relação de Lisboa rejeitou o pedido por entender que não ficou demonstrada nenhuma conduta fraudulenta ou abusiva de Isabel dos Santos na gestão destas sociedades específicas que justificasse a extensão da responsabilidade. De acordo com o acórdão, a mera inexistência de ativos financeiros para saldar a dívida não é argumento legal suficiente para confiscar o patrimônio de outras empresas do grupo.

O cerco internacional e o refúgio no Dubai

Isabel dos Santos reside há vários anos nos Emirados Árabes Unidos (Dubai), país com o qual os países europeus e Angola enfrentam complexos processos de cooperação jurídica. A empresária é alvo de um mandado de captura internacional emitido pela Interpol, focado em acusações em Angola de desvio de cerca de 200 milhões de euros dos cofres públicos (enquanto liderava a petrolífera estatal Sonangol).

Em Portugal, além das execuções fiscais e de dívidas cíveis, ela continua a responder a investigações criminais por suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude fiscal qualificada. A empresária recusa todas as acusações, alegando ser vítima de uma campanha de perseguição política coordenada.

Raio-X do Impasse Financeiro da Efacec

Instituições CredorasOrigem do RomboValor Reclamado (Com Juros)Decisão do Tribunal de LisboaSituação Atual da Ré
BCP & Novo BancoEmpréstimos à Winterfell Industries (2015) para compra da Efacec.~ € 17,4 milhõesReconhece o crédito, mas nega penhora de outras sociedades da ré.Localizada no Dubai; sem bens oficiais em Portugal e sob mandado da Interpol.

Com informações de nossa correspondente Thyrsha Alberto

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto Miguel Riopa / AFP

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