Governo Lula estuda resposta inédita aos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em estado de alerta após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano, provocou uma mobilização imediata no Palácio do Planalto e no Itamaraty, que passaram a discutir uma resposta diplomática baseada no princípio da reciprocidade.
Nos bastidores, integrantes do núcleo político do governo afirmam que restringir vistos de autoridades norte-americanas passou a ser uma das principais alternativas em análise. A avaliação é que uma reação proporcional seria necessária para demonstrar que o Brasil não aceitará pressões diplomáticas sem resposta, sobretudo em um momento de crescente tensão entre os dois países.
Embora a medida ainda não tenha sido oficializada, auxiliares de Lula afirmam que qualquer decisão deverá preservar os canais institucionais de diálogo e respeitar as normas do direito internacional. O entendimento no governo é que a crise deixou de ser apenas comercial e passou a atingir diretamente o campo diplomático. A revogação do visto de Maria Luiza Viotti representa um novo capítulo no desgaste entre Brasília e Washington.
O governo dos Estados Unidos justificou a decisão como uma resposta à demora do Brasil em conceder o agrément autorização diplomática necessária para que Danny Perez assuma oficialmente a Embaixada norte-americana em Brasília. O Palácio do Planalto, entretanto, rejeita essa justificativa. Integrantes do governo sustentam que a decisão faz parte de uma sequência de medidas adotadas pela administração Trump para ampliar a pressão política sobre o Brasil.
A percepção é de que a relação bilateral entrou em seu momento mais delicado dos últimos anos. A discussão sobre restringir vistos ocorre poucas semanas depois de o governo brasileiro começar a avaliar mecanismos de reciprocidade econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Agora, a estratégia pode migrar também para o campo diplomático. Fontes do governo afirmam que a mensagem pretendida é clara: qualquer medida considerada hostil poderá receber uma resposta equivalente, preservando o princípio da reciprocidade adotado nas relações internacionais.
Especialistas em relações internacionais avaliam que uma eventual reciprocidade envolvendo vistos teria forte peso simbólico e político. Embora não interrompa o diálogo entre os dois governos, a medida aprofundaria a deterioração das relações bilaterais justamente em um período de intensa movimentação política nos dois países. Dentro do governo Lula, porém, prevalece a avaliação de que uma reação controlada pode fortalecer a posição brasileira nas negociações futuras e evitar a percepção de que Brasília estaria cedendo às pressões de Washington.
Ao mesmo tempo, o Itamaraty trabalha para impedir que a crise evolua para uma ruptura diplomática mais ampla. Até o momento, o governo federal não anunciou uma decisão definitiva. A expectativa é de que os próximos dias sejam marcados por novas reuniões entre o Ministério das Relações Exteriores e o Palácio do Planalto para definir a resposta oficial à medida adotada pelos –
Com informações de Diego Gonzaga
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Ricardo Stuckert
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