Laura Cardoso: do rádio à televisão, uma vida dedicada à dramaturgia brasileira

Laura Cardoso construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da comunicação e da dramaturgia no Brasil. Antes de conquistar o público na televisão, a atriz iniciou sua carreira no rádio, ainda adolescente, em uma época em que as radionovelas eram um dos principais meios de entretenimento das famílias brasileiras. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, em 13 de setembro de 1927, no bairro do Bixiga, em São Paulo, Laura descobriu cedo a paixão pela interpretação.
Aos 15 anos, começou a trabalhar em radionovelas na Rádio Cosmos. O nome artístico Laura Cardoso surgiu justamente nesse período, quando seu nome de batismo foi considerado pouco adequado para a carreira no rádio. A experiência radiofônica foi fundamental para sua formação. Laura passou por emissoras como Rádio Tupi e Rádio Difusora e desenvolveu uma característica que levaria para toda a carreira: a capacidade de interpretar personagens com intensidade mesmo quando o principal instrumento de comunicação era a voz.
Com a inauguração da televisão brasileira, Laura Cardoso fez a transição do rádio para o novo meio. Em 1952, participou de “Tribunal do Coração”, da TV Tupi, programa escrito por Vida Alves. A partir daí, tornou-se uma das pioneiras da televisão nacional. Na televisão, Laura participou de teleteatros, séries e novelas. Durante as décadas de 1950, 1960 e 1970, trabalhou em diferentes emissoras e acompanhou de perto a transformação da televisão brasileira, que passou dos teleteatros transmitidos ao vivo para as grandes produções de dramaturgia.
A atriz esteve na TV Tupi, TV Record, TV Excelsior, TV Cultura e TV Bandeirantes. Quando a Tupi encerrou suas atividades, em 1980, Laura seguiu sua carreira e, no ano seguinte, chegou à Globo, onde estreou na novela “Brilhante”, de Gilberto Braga. Na Globo, Laura Cardoso consolidou uma das carreiras mais longevas da televisão brasileira. Ao longo das décadas, participou de novelas que entraram para a memória do público, entre elas “Pão-Pão, Beijo-Beijo”, “Livre para Voar”, “Mulheres de Areia”, “A Viagem”, “Chocolate com Pimenta”, “Caminho das Índias”, “Gabriela” e “Sol Nascente”. Sua carreira ultrapassou a televisão.
Laura também atuou no teatro e no cinema, demonstrando uma versatilidade que a transformou em referência para diferentes gerações de atores. Mais do que a quantidade de trabalhos, o legado de Laura está na capacidade de atravessar diferentes períodos da dramaturgia brasileira sem abandonar a profissão. Ela acompanhou a transformação tecnológica da comunicação, do rádio à televisão em preto e branco, da transmissão ao vivo às grandes produções gravadas.
O fim de uma era Laura Cardoso morreu aos 98 anos em casa de forma natural, em 17 de agosto de 2026, encerrando uma trajetória de mais de oito décadas dedicada à arte. Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, em 2019. Mesmo depois de se afastar das novelas, permaneceu como uma referência para atores e para o público brasileiro.
A história de Laura Cardoso, portanto, não pode ser contada apenas pela quantidade de novelas, filmes ou peças realizadas. Sua trajetória representa a passagem de uma geração de artistas que ajudou a construir o rádio brasileiro e, posteriormente, participou da formação da televisão como um dos principais meios de comunicação do país. Do microfone das radionovelas aos estúdios de televisão, Laura Cardoso fez da interpretação uma vida. E, ao atravessar diferentes épocas sem deixar de atuar, tornou-se parte da própria memória cultural brasileira.
Com informações de Diego Gonzaga
Wagner Sales – editor de conteúdo
Foto: Redes sociais
Compartilhe
