Brasil cria 10,1 milhões de empregos formais desde 2023

Mercado de trabalho chega a 62,9 milhões de vínculos formais em junho; serviços lideram expansão e participação feminina aumenta

O mercado de trabalho brasileiro acumulou 10.100.342 novos vínculos de emprego formal entre janeiro de 2023 e junho de 2026, crescimento de 19,1% no período. Com a expansão, o país chegou a 62.891.209 vínculos formais em junho deste ano, considerando todo o estoque de empregos registrados.

Os dados constam da RAIS Mensal de junho, divulgada nesta quinta-feira (13), em Brasília.

Somente nos primeiros seis meses de 2026, foram acrescentados aproximadamente 2,46 milhões de empregos formais, uma expansão de 4,1%.

Empregos com carteira lideram crescimento

Os trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), incluindo temporários, registraram aumento de 4,75 milhões de vínculos, alta de 10,9% desde janeiro de 2023.

O estoque passou de 43,4 milhões de vínculos para 48,15 milhões em junho de 2026.

Entre os agentes públicos, o número de vínculos chegou a 14,31 milhões, diante dos 12,79 milhões registrados em dezembro de 2025.

Considerando apenas a evolução entre dezembro de 2025 e junho de 2026, os empregos formais privados cresceram 919.621 vínculos, enquanto os vínculos de agentes públicos aumentaram em aproximadamente 1,51 milhão.

Outras modalidades de vínculo, que incluem trabalhadores avulsos, dirigentes sindicais, trabalhadores cedidos e diretores não empregados, também apresentaram crescimento. O número passou de aproximadamente 402 mil para 429 mil vínculos, alta de 6,3%.

Serviços concentram maior expansão

O setor de Serviços foi responsável pelo maior crescimento absoluto entre os segmentos da economia.

Foram acrescentados 8,45 milhões de vínculos, uma expansão de 28,3%. Com isso, o estoque passou de 29,81 milhões para 38,26 milhões de empregos.

A participação dos Serviços no mercado formal também aumentou, passando de 56,5% para 60,8%.

Dentro do setor, o conjunto formado por administração pública, educação, saúde e serviços sociais registrou crescimento de 6,03 milhões de vínculos, alta de 42,1%.

Já as atividades de informação, comunicação, serviços financeiros, imobiliários, profissionais e administrativos apresentaram expansão de aproximadamente 1,5 milhão de vínculos, crescimento de 16%.

Indústria e construção também avançam

A Indústria acrescentou 832 mil vínculos no período, crescimento de 10%, alcançando 9,15 milhões de empregos formais em junho.

Na Construção, o estoque passou de 2,68 milhões para 3,04 milhões de vínculos, aumento de 357 mil postos, equivalente a 13,3%.

O Comércio registrou aproximadamente 340 mil novos vínculos, passando de 10,2 milhões para 10,54 milhões, alta de 3,3%.

Já a Agropecuária teve crescimento de 88 mil vínculos, uma expansão de 5%, chegando a 1,86 milhão de postos formais.

Sudeste lidera em números absolutos

Todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento do estoque de empregos formais.

Em números absolutos, o Sudeste teve a maior expansão, com 3,78 milhões de novos vínculos, seguido pelo Nordeste, com 2,69 milhões.

Quando considerada a variação percentual, porém, o Norte apresentou o maior crescimento, de 34,7%, seguido pelo Centro-Oeste, com 28,6%.

O Nordeste cresceu 27,6%, enquanto o Sudeste avançou 14,6% e o Sul registrou alta de 12,3%.

Entre os estados, São Paulo liderou a criação de vínculos, com 1,64 milhão de novos empregos. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 1,29 milhão; Rio de Janeiro, com 683 mil; Distrito Federal, com 649 mil; e Bahia, com 641 mil.

Em termos proporcionais, os maiores crescimentos ocorreram em Roraima (70,8%), Distrito Federal (51,9%), Amapá (48,8%), Tocantins (45,9%) e Piauí (39,5%).

Mulheres aumentam participação no mercado formal

Os dados também mostram avanço da participação feminina no mercado de trabalho formal.

O estoque de vínculos ocupados por mulheres cresceu 5,36 milhões, alta de 25%, passando de 23,34 milhões em janeiro de 2023 para 29,18 milhões em junho de 2026.

Entre os homens, foram acrescentados 4,26 milhões de vínculos, crescimento de 14,5%, chegando a 33,71 milhões.

Com isso, a participação das mulheres no estoque de empregos formais passou de 44,5% para 46,4% no período.

Ensino médio concentra maior número de vínculos

A escolaridade também aparece como um dos fatores de destaque na expansão do mercado formal.

Trabalhadores com ensino médio completo registraram crescimento de 20,3%, com 5,7 milhões de novos vínculos, alcançando estoque de 33,70 milhões.

Entre aqueles com ensino superior incompleto, foram acrescentados aproximadamente 370 mil vínculos, crescimento de 16,9%, levando o estoque de 2,19 milhões para 2,56 milhões.

Considerando conjuntamente trabalhadores com formação superior completa ou algum nível de formação superior, o estoque passou de 11,8 milhões para 15,2 milhões de vínculos, aumento de 3,4 milhões, ou 29,1%.

Emprego formal cresce entre jovens e trabalhadores mais velhos

O crescimento do emprego formal também alcançou diferentes faixas etárias.

Entre os trabalhadores de até 24 anos, foram acrescentados 990 mil vínculos, alta de 13,5%, elevando o estoque de 7,31 milhões para 8,30 milhões.

O grupo entre 40 e 49 anos registrou crescimento de 3,05 milhões de vínculos, alta de 23,5%.

Entre trabalhadores de 50 a 64 anos, foram acrescentados 3,26 milhões de vínculos, crescimento de 34,7%.

O maior crescimento proporcional ocorreu entre pessoas com 65 anos ou mais. O estoque aumentou 731 mil vínculos, alta de 73,6%, passando de 993 mil para 1,64 milhão.

Crescimento alcança trabalhadores de diferentes grupos raciais

Os dados da RAIS também apresentam diferenças na evolução dos vínculos segundo raça ou cor.

Entre os trabalhadores pardos, foram registrados 12,8 milhões de vínculos adicionais, crescimento de 88,3%, chegando a 27,34 milhões em junho de 2026.

Entre os trabalhadores brancos, o aumento foi de 8,74 milhões de vínculos, alta de 48,2%, alcançando 26,88 milhões.

Entre os trabalhadores pretos, foram acrescentados 2,15 milhões de vínculos, crescimento de 85,4%, chegando a 4,66 milhões.

Os trabalhadores amarelos registraram aumento de 320 mil vínculos, alta de 114,5%, enquanto entre indígenas o crescimento foi de 90 mil vínculos, equivalente a 164,8%.

Um mercado de trabalho em transformação

Os números da RAIS Mensal mostram um mercado de trabalho formal em expansão desde 2023, mas também revelam mudanças na composição do emprego brasileiro.

O crescimento foi puxado principalmente pelos Serviços e ocorreu simultaneamente com o aumento da participação feminina, a expansão dos vínculos entre trabalhadores mais velhos e a maior presença de profissionais com formação superior.

Os dados também mostram diferenças significativas entre regiões e estados, indicando que a recuperação e a expansão do emprego formal não acontecem de maneira uniforme em todo o país.

Com informações de Ag. Gov 

Wagner Sales – editor de conteúdo

Foto: Agência Brasil / arquivo

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