Carola

Por: Jorge Eduardo Magalhães

Olhando as redes sociais de Carola, verifico que, mesmo tendo passado cerca de quinze anos, ainda está bonita. Parece que ela está bem feliz. Casada com um homem mais velho, posta fotos em resorts localizados em praias paradisíacas, inclusive fora do país.

O seu marido, uns vinte anos mais velho, dá tudo o que ela quer. Não mora mais no bairro, vive com ele em uma cobertura em frente à praia. As más línguas dizem que tem amante e que se casou com o coroa por causa do dinheiro. Certamente, apesar da suposta infidelidade, ele é bem mais feliz do que eu.

Há quinze anos, quando Carola era minha namorada, todo mundo me alertava sobre sua reputação. Diziam que ela me traía, inclusive, com meus amigos. Fingia não acreditar; afinal de contas, ela era alegre, viva, brincalhona, proporcionando-me prazer em todos os sentidos.

Não aguentei a pressão familiar e dos amigos e terminei o namoro. Sofri muito. Logo após o rompimento, ela se mudou do bairro e eu comecei a namorar a Eulália, que era o contrário da carola, sisuda, rechonchuda, apática e não saía da igreja. Era a queridinha da família.

Casei-me com Eulália, que engordou bastante, não penteia o cabelo, só usa camisas de malha com estampa de bichinhos e tem uma coleção de calçolas com bolinhas vermelhas, verdes e azuis. Como o passar dos anos, tornou-se ainda mais beata e amarga. Em casa, só usa chinelo de pantufas.

Tenho certeza de que Eulália nunca me traiu e nem nunca o fará; contudo, sinto uma imensa saudade da Carola; sem dúvidas, se tivesse casado com ela, apesar das suas prováveis escapulidas, teria sido muito mais feliz.

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